O líder de uma milícia norte-americana que capturava imigrantes sem documentos na fronteira com o México, Larry Hopkins, foi detido no sábado e confessou ao FBI que o grupo planeava matar Barack Obama, Hillary Clinton e o magnata e multimilionário George Soros, adianta a BBC.

O homem responsável pelo grupo ”Patriotas Constitucionais dos Estado Unidos”, ”United Constitutional Patriots” em inglês, tem 69 anos e foi detido pelas autoridades em Sundland Park, no estado do Novo México, por posse de arma.

O jornal espanhol El Mundo diz que a detenção aconteceu depois de os ”Patriotas Constitucionais” terem publicado nas redes sociais, uns dias antes, um vídeo em que se vê os membros do grupo a mandar as famílias de imigrantes, incluindo crianças, sentarem-se no chão enquanto chegava a patrulha da fronteira dos EUA. Atos como este têm chamado a atenção de grupos de direitos civis e das autoridades locais.

Na segunda-feira, Hopkins foi presente a tribunal em Las Cruces, New Mexico, e disse que não era culpado das acusações de posse de arma que estava a enfrentar, alegando que estava a ajudar o país e a exercer os seus direitos como cidadão americano, mas antes do julgamento, segundo o agente especial David Gabriel, em 2017, o FBI tinha a informação de que o grupo, com cerca de 20 membros na altura, estava sediado na casa de Hopkins e estava armado com espingardas AK-47.

Ora, segundo a lei norte-americana, quem já tiver uma condenação criminal anterior não pode ter armas e o homem já tinha cadastro: em 1996 foi condenado por posse de arma de fogo e cumpriu uma sentença de 16 meses a 2 anos. Em 2006, foi preso pelos mesmos motivos durante 40 dias de prisão e 36 meses de liberdade condicional. Ao mesmo tempo, Hopkins foi acusado de roubo de identidade de um polícia e cumpriu 20 dias de prisão e 24 meses de liberdade condicional, segundo a NBC News.

É incerto quando Hopkins admitiu que o grupo que liderava estava a fazer planos para matar Barack Obama, Hillary Clinton e Soros, mas certo é que as alegações estão presentes nos documentos judiciais publicados esta semana, avança a BBC.

O advogado do homem, Kelly O’Connell, negou as alegações à NBC News, dizendo que ”não havia planos para fazer isso” e que ”é categoricamente falso aquilo que eles [os membros do grupo] estavam a fazer”.

Se Hopkins for considerado culpado pode enfrentar 10 anos de prisão mais 3 anos de liberdade condicional e terá de pagar 250 mil dólares (mais de 223 mil euros) de multas. Foi marcada uma nova audiência para a próxima semana, e até lá o suspeito permanece sob custódia.