A segurança dos condutores e seus acompanhantes é, há dezenas de anos, uma preocupação de alguns construtores. O legislador acordou mais tarde para o problema, com a União Europeia (UE) a introduzir a “obrigatoriedade do uso do cinto de segurança em todos os lugares que o possuam” apenas a partir de Maio de 2006. Mesmo assim, esta medida é controlada pelas autoridades quase exclusivamente nos assentos dianteiros, em vez dos traseiros.

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A obrigatoriedade do uso do cinto fez maravilhas à redução da sinistralidade nos acidentes rodoviários, na altura a segunda maior causa de morte de acordo com a UE, depois do excesso de velocidade, mas diante do álcool ao volante. E os sistemas de protecção de quem ocupa os lugares da frente não pararam de evoluir, com a introdução dos airbags (a necessidade de receber cinco estrelas na pontuação do Euro NCAP, hoje um importante argumento comercial, tem dado um forte contributo), dos pré-tensores (para evitar o excesso de folga no cinto) e dos limitadores de esforço (para que não seja o esterno e o pescoço a suportarem toda a violência da desaceleração). Contudo, todo este esforço para o incremento de eficácia dos cintos de segurança concentrou-se, sobretudo, nos bancos dianteiros, com os posteriores a terem sido parcialmente esquecidos, não usufruindo dos mesmos avanços tecnológicos.

Um estudo agora revelado pelo Instituto de Seguros para a Segurança em Auto-estrada americano (IIHS, na sigla em inglês) concluiu que os ocupantes dos bancos da frente estão mais bem protegidos do que os que vão sentados atrás durante um embate frontal, seja ele total ou desfasado. Analisando os dados relativos a acidentes ocorridos em 117 embates, o IIHS provou que um número surpreendentemente elevado de ocupantes do banco traseiro faleceu ou ficou gravemente ferido, enquanto nada aconteceu a quem estava sentado à frente. Para estes especialistas em segurança, a explicação prende-se com a falta de desenvolvimento dos cintos posteriores.

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Se esta é a situação americana, apesar de muitos veículos que se comercializam do outro lado do Atlântico serem similares aos que estão à venda na Europa, também por cá há um standard para os sistemas de retenção frontais e outro, menos sofisticado, para os traseiros. Basta percorrer a lista de equipamento dos sistemas de segurança para nos apercebermos que apenas os automóveis mais recentes e mais caros montam na traseira os pré-tensores e limitadores de esforço que há muito se aplicam à frente. É bom ter presente que se os cintos são responsáveis por salvar vidas, aos airbags deve-se a ausência de lesões mais graves, especialmente ao nível do pescoço. Ora, airbags é coisa que não existe no banco traseiro, onde apenas há os de cortina, destinados a proteger sobretudo em caso de embate lateral.

Quando o Euro NCAP começar a insistir mais na avaliação dos danos provocados nos adultos que se sentam atrás – hoje a sua dedicação está muito mais nas crianças –, certamente presenciaremos um avanço mais evidente na protecção de quem se senta nos lugares traseiros.