Sob o tema Import / Export, a 8ª edição do evento tem como objetivo democratizar a arte, aproximar o território das pessoas e questionar as fronteiras do mundo global. “Queremos convocar novos conceitos sobre o espaço de representação da cidade, sobre as práticas artísticas, as fronteiras entre os mundos e a relação da cidade com a arte contemporânea”, explica Andreia Garcia, curadora geral da Bienal de Arte Contemporânea da Maia.

A partir da expressão artística pretende-se também uma reflexão sobre a geografia multidirecional, as potencialidades do lugar e o papel urbano, social, cultural de uma cidade, que tem tanto de rural como de industrial. Num ano em que a Maia celebra 500 anos da atribuição do Foral Manuelino ao concelho, a cidade recebe exposições, instalações, performances, debates, workshops e lançamentos de livros, num rol de atividades gratuitas.

“Durante os três meses de programação destacam as 24 novas criações artísticas centradas nos quatro eixos disciplinares desta edição”, sublinha a curadora, Andreia Garcia. A responsável conta com curadores como Diogo Aguiar e Javier Peña Ibáñez na área da arquitetura, “que apresentam uma visão que reconfigura o desafio do contentor, utilizando-o enquanto conteúdo (re)fazedor de espaço e território.”

Cartaz da iniciativa

Luís Albuquerque Pinho e Luís Pinto Nunes são curadores nas artes plásticas e convidam os portugueses Sara & André, Dayana Lucas, Horácio Frutuoso, Mafalda Santos, Tiago Alexandre, Francisco Oliveira, Carla Filipe, Carlos Azeredo Mesquita e a venezuelana Bryana Fritz “a refletirem o acesso à informação no desvanecimento do perímetro que define o local, convocando a partir dessa sub-narrativa à produção de conhecimento sobre a (re)imaginação e a (re)criação do novo da arte contemporânea.”

Sara Orsi assina a curadoria dos novos media e convoca o editor Justin Jaeckle (Inglaterra), o artista e investigador Alessandro Ludovico (Itália), juntamente com a investigadora Luísa Ribas e o artista Miguel Carvalhais (Portugal), o coletivo Elodie Correia & Priscillia Julien & Uncanny Valley Studio (França), o coletivo ERROR-43 (Portugal) e as coordenadoras do projeto educativo Catarina Lee e Filipa Alves de Sousa (Portugal) “para apresentarem um enquadramento da prática que se expande a várias formas de ação para a criação de pensamento coletivo e espaços participativos.”

Vera Sacchetti assume o leme do design, trazendo consigo “uma metodologia que parte da necessidade de um profundo questionamento sobre as certezas de especialização do Design que antecedem a primeira parte do século XXI.” Para esta abordagem convida a designer Catarina Carreiras (Portugal), o estúdio AATB (Suiça-França), a designer Orlando Lovel (Alemanha) e o artista Pedro Augusto (Portugal) – a apresentarem instalações à escala da cidade como a assumir formatos de dimensão imaterial. “Os resultados compõem uma (multi)sensorialidade aguçada, tal como deverá ser a leitura sobre os novos modos de pensar a interação, a partilha, a distribuição e o rumo do design contemporâneo.”

Portugal, Alemanha, Espanha, Estados Unidos da América, Dinamarca, Holanda, França, Inglaterra, Itália, Macedónia, Suíça e Venezuela são as 12 nacionalidades dos mais de 40 artistas convidados para o evento que acontece entre 11 maio e 27 julho. O roteiro artístico realiza-se em 16 contentores distribuídos por sete locais da cidade: Praça do Doutor José Vieira de Carvalho, Parque Cidade Desportiva, Maninhos, Mandim, Estação do Metro do Castêlo da Maia, Feira de Pedras Rubras (freguesia de Moreira), Parque da Pícua (freguesia de Águas Santas).

Trabalhar sobre “uma cidade real” com a comunidade “local, mas também académica” é outras das premissas da bienal pluridisciplinar que leva a arte ao espaço público, promovendo o diálogo, o debate e experiências como visitas guiadas e tours aos contentores acompanhadas pelos curadores.