Timor-Leste

Ex-Presidente timorense Ramos-Horta diz que país pode beneficiar de parcerias com a China

Ramos-Horta relativizou as preocupações sobre a presença económica chinesa em Timor-Leste, afirmando que "não é maior do que a presença indonésia ou da presença australiana".

"O importante é Timor saber negociar e enquadrar o apoio chinês nas áreas que interessa a Timor, como definido no Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional" afirmou Ramos-Horta

NUNO VEIGA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O ex-Presidente timorense José Ramos-Horta disse que Timor-Leste pode beneficiar de parcerias com a China, como com outros parceiros, para o seu desenvolvimento nacional, considerando “propaganda” as campanhas de receio sobre o investimento chinês.

Há muita propaganda, de repente. O que se passa é que a China surgiu agora como grande potência global económica e isso atrapalha o monopólio de influência económica de muitos países. É um fenómeno novo na geopolítica mundial”, disse José Ramos-Horta em declarações à Lusa.

“As preocupações no caso de Timor-Leste não fazem sentido. Posso entender as preocupações, obviamente, mas a nossa resposta às preocupações é estar sempre disponível para explicar as implicações do envolvimento da China, quer a nível oficial, quer do setor privado internacional”, considerou.

José Ramos-Horta falava à Lusa depois de regressar da China onde participou em reuniões do Conselho Global para a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, com vários ex-chefes de Estado e de Governo de que agora também faz parte.

Ramos-Horta explicou que foi convidado pelo presidente do Conselho Global, o ex-chefe de Estado sérvio, Boris Tadic, a integrar o organismo que “visa aconselhar as autoridades, quem de direito, sobre as implicações culturais, sociais, políticas, diplomáticas da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota”.

Uma outra vertente, explicou, “é mobilizar parcerias quer entre a China e países terceiros, quer entre a China e setores privados, para a boa execução” da iniciativa.

A iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota” é uma estratégia de desenvolvimento do Governo chinês que aposta no desenvolvimento de infraestrutura e investimentos em vários países da Ásia, África e Europa.

Ramos-Horta desdramatizou as preocupações sobre a presença económica chinesa em Timor-Leste, afirmando que “não é maior do que a presença indonésia ou da presença australiana”.

O país, disse, tem vários acordos de cooperação nas áreas da defesa e segurança, com a Austrália, Portugal e Estados Unidos, e outra cooperação com países como o Japão, a Coreia do Sul e a Alemanha, além da União Europeia.

“A presença chinesa na Austrália é muito maior, muito maior nos Estados Unidos onde a China detém dois triliões de dólares em divida pública norte-americana e investimento nos Estados Unidos”, salientou.

Esta semana, recorde-se, o presidente da petrolífera timorense, Timor Gap, disse estarem a decorrer negociações com a China para o financiamento do novo Porto de Beaço, inserido no projeto do Greater Sunrise, no sul de Timor, e avaliado em 943 milhões de dólares.

Francisco Monteiro confirmou que o projeto — que deverá ser construído pela China Civil Engineering Construction Corporation – insere-se na iniciativa chinesa “Uma Faixa, uma Rota”.

“Estranho algumas preocupações de certos setores internacionais. O importante é Timor saber negociar e enquadrar o apoio chinês nas áreas que interessa a Timor, como definido no Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional” afirmou Ramos-Horta.

O líder timorense disse que Xanana Gusmão, ex-chefe de Estado e de Governo e agora representante do executivo para os assuntos do Mar de Timor, também esteve nos encontros da “Uma Faixa, Uma Rota”, na China, iniciativa que “elogiou”.

Ramos-Horta questionou, em particular, as preocupações com o endividamento à China, notando que muitos países de África e da Ásia sofreram e ainda sofrem com empréstimos ao FMI, Banco Mundial e bancos comerciais europeus e norte-americanos, alguns feitos nos anos 60 e 70.

“Eu acho interessante no mínimo dizer-se que certos países, certas instituições internacionais manifestam preocupação em relação ao endividamento dos países do terceiro mundo em relação à “Uma Faixa, Uma Rota”, declarou.

O drama do endividamento de tantos países, sobretudo africanos, mas também muitos asiáticos, vem desde os anos 60 e 70, e as grandes crises financeiras foram criadas por dividas contraídas por esses países e outros com o FMI, com o Banco Mundial e os bancos comerciais europeus e americanos”, disse.

Além disso, sublinhou, que estudos mostram que a dívida chinesa é menor, que o país renegoceia ou perdoa muita da dívida e que os juros são muito mais baixos, a 1% bonificados, que os 4% do Fundo Monetário Internacional e Banco Asiático de Desenvolvimento ou 7 ou 8% de bancos europeus e norte-americanos.

Timor-Leste deve, por isso, procurar “diversificar ao máximo as suas relações comerciais e financeiras”, sublinhando que estes processos “são uma estrada de dois sentidos”.

“Timor quando faz solicitações, tem uma resposta rápida da China, quer oficial, quer privada. A UE e os EUA, Japão e Coreia, têm também que ser mais ágeis na resposta as necessidades de Timor, aos convites de Timor para parcerias económicas e técnicas”, sustentou.

“Não é só Timor querer. O problema é que tem acontecido sempre [uma] enorme morosidade de instituições como a UE, Banco Mundial e Banco Asiático de Desenvolvimento e dos setores oficiais e privados de alguns países”, afirmou.

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