Na antecâmara do jogo 4 da série de apuramento do campeão nacional de basquetebol, existia a certeza de que no final da partida, qualquer que fosse o resultado, aconteceria um feito digno de nota. À cabeça, a possibilidade de a Oliveirense se sagrar bicampeã nacional em caso de vitória, algo inédito na história da equipa de Oliveira de Azeméis; por outro lado, a hipótese de, em cenário de uma vitória do Benfica, o derradeiro playoff do basquetebol português chegar a um decisivo quinto jogo que não acontece desde 2011/12.

Depois de vencer o jogo inicial em casa, após um arranque demolidor que acabou por anular uma reação dos encarnados ao longo da partida, a Oliveirense ainda permitiu que o Benfica empatasse a série no jogo 2, novamente em Oliveira de Azeméis, relançando assim o playoff para a dupla jornada na Luz. No terceiro encontro, na passada sexta-feira, a Oliveirense repôs a vantagem inicial já no prolongamento depois de ter estado a perder durante grande parte do tempo regulamentar e colocou-se a apenas um triunfo da revalidação do título nacional.

Esta série de apuramento do campeão da temporada 2018/19 tem-se revelado algo oscilante, com as duas equipas a arrancarem melhor à vez, cavando vantagens consideráveis que nem sempre se materializaram na vitória final. Depois de na passada sexta-feira ter sido o Benfica a entrar melhor na partida, desta vez foi a Oliveirense a começar com tudo o jogo no Pavilhão Fidelidade, chegando ao final do segundo minuto a vencer por 0-9 graças a um inspirado Travante Williams. Carlos Lisboa pediu um desconto de tempo para corrigir os erros do Benfica e as palavras do treinador encarnado terão surtido efeito na equipa, já que a partida subiu de ritmo a partir desse momento e os da Luz encurtaram mesmo a desvantagem para quatro pontos já na reta final do primeiro período, altura em que um triplo de Miguel Maria foi crucial. No final do 1.º quarto, a Oliveirense estava a vencer por 23-28 depois de Eric Coleman ter encestado no último instante.

O segundo período começou com uma lesão de Coleman, que nunca recuperou totalmente do choque sofrido durante um ataque do Benfica e esteve sempre algo alheado do jogo. Para compensar, Williams continuava praticamente imparável e Norberto Alves pediu um desconto de tempo na altura certa, logo após um triplo de José Silva que reduziu a clivagem para quatro pontos, corrigindo a equipa de Oliveira de Azeméis e abrindo caminho para uma fase praticamente demolidora dos atuais campeões nacionais: a menos de dois minutos do final do segundo período e depois de mais dois triplos e um lance livre de Williams, a Oliveirense ganhava por 34-47. Uma pausa forçada devido a um problema informático na mesa de arbitragem facilitou a reorganização encarnada, que motivou uma reação liderada por Jacques Conceição e Micah Downs que embateu na enorme de exibição de Travante Williams, que chegou aos 21 pontos e colocou o marcador a apontar 41-53 ao intervalo.

O Benfica entrou melhor no terceiro período, com Miguel Maria a abrir o marcador para acertar um triplo logo de seguida, Micah Downs a ajudar com dois duplos e Cláudio Fonseca com um afundanço: os encarnados alcançaram um parcial de 10-0 e ficaram a apenas dois pontos da Oliveirense, que na ida para o intervalo parecia ter o jogo e o título na mão. Depois do período de desnorteio da equipa do distrito de Aveiro, o Benfica não conseguiu parar uma natural subida de rendimento dos comandados por Norberto Alves e a Oliveirense ia mesmo para os últimos dez minutos do jogo 4 a ganhar por 59-71, resultado avolumado por um triplo de Thomas Thaey no último instante.

No último período, Ellisor juntou-se a Williams e Thaey para segurar a vantagem da Oliveirense e até engordar o resultado, numa fase da partida em que o Benfica já mostrava pouco discernimento. No final do derradeiro quarto, a equipa de Oliveira de Azeméis venceu os encarnados por 72-97 e sagrou-se bicampeã nacional de basquetebol pela primeira vez na história. Já o Benfica voltou a deixar escapar o título nacional depois de ter conquistado o Campeonato cinco vezes no período de seis anos entre 2012 e 2017.