Rádio Observador

PSD

PSD. Luís Montenegro apareceu na apresentação do Manifesto de Pedro Duarte (mas desapareceu logo a seguir)

281

Luís Montenegro apareceu na apresentação do Manifesto de Pedro Duarte, na qualidade de "amigo", mas desapareceu logo a seguir. Sem dizer nada. Manifesto X pretende "apontar para o centro".

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

A apresentação do Manifesto X, de Pedro Duarte, estava marcada para as 18h30, mas só arrancou minutos depois das 19h. Porquê? Porque o ex-secretário de Estado do PSD e ex-líder da JSD esperava por um convidado especial, que tardava em aparecer: Luís Montenegro, o ex-líder parlamentar do PSD que em janeiro desafiou a liderança de Rui Rio no PSD e que, soube-se agora, vai-se ausentar temporariamente da política nacional para estudar “liderança” em Paris. Montenegro chegou discretamente e a sua chegada foi o tiro de partida para Pedro Duarte pegar no microfone e começar a apresentar aquele que diz ser um “movimento cívico”, não partidário, que pretende desafiar os cidadãos a pensar o futuro daqui a dez anos sem olhar a disputas partidárias internas. Uma missão que parece difícil quando no mesmo rooftop onde decorreu a apresentação se encontravam dois dos principais adversários de Rui Rio dentro do PSD — embora ali estivessem na qualidade de “amigos”. Um do outro.

“Somos amigos há anos, fomos aliás colegas de curso há 25 anos”, explicou aos jornalistas Pedro Duarte quando questionado sobre o apoio-relâmpago de Luís Montenegro. Relâmpago porque Montenegro saiu da mesma forma que entrou: discretamente e sem levantar ondas, ou seja, sem prestar declarações à comunicação social. Admitindo que foi ele próprio que o convidou — porque “convidou os amigos” –, Pedro Duarte mostrou-se “sensibilizado” pela presença do “amigo que veio dar um abraço”. O abraço, de facto, Luís Montenegro deu. Mas saiu sem mais delongas.

O facto de Pedro Duarte, no verão passado, já se ter mostrado “preparado para liderar uma nova estratégia no PSD”, e o facto de Luís Montenegro ter desafiado a liderança de Rui Rio em janeiro, e perdido depois de Rio ganhar uma moção de confiança no Conselho Nacional, não é aparentemente para aqui chamado. “A questão das candidaturas alternativas ao PSD não se coloca, é especulativo”, diz Pedro Duarte, insistindo na ideia de “unidade” dentro do partido — pelo menos até ao próximo congresso, depois das eleições, onde, aí sim, se vai voltar a discutir a liderança do PSD. Foi precisamente essa a meta que traçou para voltar a falar de “lideranças”: “Há um congresso depois das legislativas, essa é a altura adequada”, disse.

Até lá, diz, é tempo de “unidade”. “Este não é o momento para fazer especulações. O melhor serviço que posso prestar ao PSD e ao país neste momento é a unidade”, disse ainda aos jornalistas, defendendo que o Manifesto X, cujas primeiras 100 medidas hoje divulga, não é mais do que “um espaço complementar ao trabalho dos partidos”, que, ainda para mais, estão nesta altura a preparar os seus programas eleitorais.

Um movimento que aponta para o centro. Porque é aí que está “o bem-estar das pessoas”

O símbolo do “movimento”, colocado em cima do palanque onde Pedro Duarte se preparava para falar, é um X e isso não é por acaso. Um X é, ele próprio, um símbolo que junta uma seta a apontar para a esquerda (>) e uma seta a apontar para a direita (<). A ideia é, portanto, “convergir ideias da direita e da esquerda para o centro”, explica o ex-líder da JSD a alguns jornalistas enquanto fazia um compasso de espera para arrancar a sessão. “O centro é o bem-estar dos portugueses e a política não pode ser uma guerra da esquerda e da direita”, acrescentou o apresentador antes de dar a palavra a Pedro Duarte.

Num folheto distribuídos aos convidados constavam as 10 metas que o movimento prevê para os próximos 10 anos, e que vão desde “chegar ao top 10 do ranking da felicidade mundial (Portugal está em 67º)” a “baixar a taxa de incidência de pobreza para menos de 10% (que é de 17%)”, passando por “reduzir a dívida pública para 75% do PIB (está em 118% em 2019)” ou por “ter 99% dos serviços digitalizados”. Não querendo ser exaustivo nas metas, Pedro Duarte optou antes por lançar um desafio: uma espécie de “10 year challenge” mas para o futuro, não para o passado. Ou seja, olhar para a próxima década e decidir que país queremos. “O mundo mudou muito em 10 anos e vai mudar de forma mais acelerada ainda nos próximos 10 anos”, disse.

Um rápido exercício de memória não deixa enganar: “O carro demorou 62 anos a atingir 50 milhões de utilizadores, a televisão demorou 22 anos a atingir os 50 milhões de utilizadores, a internet demorou 7 anos a atingir os 50 milhões de utilizadores, o Facebook demorou 3 anos a atingir 50 milhões e o jogo Pokemon Go demorou 39 dias a atingir 50 milhões de utilizadores”, disse, para fazer valer o ponto de que a mudança está a ocorrer a uma “velocidade galopante” e não vai parar, com todas as oportunidades e desafios que isso acarreta. Por isso, “os próximos 10 anos podem ser fantásticos e a nossa geração tem a responsabilidade de aproveitar as oportunidades desta década, para dar às novas gerações um futuro melhor”, disse.

O caminho para lá chegar, na sua opinião, passa por “apontar para o centro” (tal como as setas do X apontam), porque é no centro que está o “bem-estar das pessoas”. E isso é um fim em si mesmo. “É fundamental apostarmos no crescimento económico mas isso é um meio, não é um fim em si mesmo”, disse, sublinhando que o fim é o bem-estar, a felicidade das pessoas. “São as políticas públicas que têm de contribuir para um país mais equitativo, mais justo, com mais qualidade de vida para as pessoas”, disse, pedindo que o poder político lute por “causas mobilizadoras” para a sociedade portuguesa. Esse, no seu entender, será o motor do progresso.

Numa curta apresentação de intenções, onde não se demorou na explicação de ideias concretas (são 100 as medidas hoje divulgadas), Pedro Duarte fez prova de vida e disse “presente”. Para já, apenas no plano das ideias. Depois, seguem-se “tertúlias” para explicar essas mesmas ideias — a primeira será no Bairro Alto, dedicada ao tema da Transparência, segue-se um momento de discussão na Covilhã sobre “Solidão e Idosos” e está ainda previsto um outro momento, em Coimbra, sobre Natalidade. E, depois, logo se verá. A liderança do PSD discute-se no próximo congressso que, se não houver surpresas, será em fevereiro.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rdinis@observador.pt
PSD/CDS

A beira do precipício

José Ribeiro e Castro
105

A visão da beira do precipício serve para despertar. Se não querem deixar Portugal totalmente submetido à esquerda, PSD e CDS têm de fazer mais no tempo que falta. Sobretudo fazer melhor. E desde já.

Política

Bem-vindo Donald Trump, António Costa merece!

Gabriel Mithá Ribeiro
203

A direita em Portugal, e o PSD muito em particular, nunca foram capazes de afirmar um discurso sociológico autónomo. CDS-PP e PSD insistem em nem sequer o tentar, mesmo quando se aproximam eleições.

Legislação

Menos forma, mais soluções /premium

Helena Garrido

É aflitivo ver-nos criar leis e mais leis sem nos focarmos nas soluções. A doentia tendência em catalogar tudo como sendo de esquerda ou de direita tem agravado esta incapacidade de resolver problemas

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)