Miguel Marques da Costa tem 26 anos e a marca que criou em agosto de 2017 cresceu mais depressa do que esperava. O bichinho da moda sempre esteve lá, mas a gestão hoteleira começou por levar a melhor. Mudou-se para a Suíça e, durante quatro anos, foi um aluno da especialidade. “A hospitalidade é importante, seja qual for o trabalho”, reconhece hoje. Numa viagem ao Quénia, um percalço de última hora. “Tinha acabado de chegar quando recebi um telefonema e soube que tinha ficado sem trabalho”, conta ao Observador. As férias em África já ninguém lhe tirava, tão pouco as três camisas que conseguiu mandar produzir numa fábrica de toalhas local.

De volta a Portugal, as três camisas novas fizeram sucesso. Diz-se que a necessidade aguça o engenho, mas Miguel precisou de um empurrão extra, o da família. Criou a marca, resumiu a expressão “Curated” numa sigla internacional — C.R.T.D. — e voou de volta para o Quénia. Afinal, era naquela fábrica que queria produzir a primeira coleção. “O algodão é tão fino que ainda hoje as pessoas perguntam se é seda”, admite. Com o lançamento das primeiras camisas, no final do verão, a primeira grande surpresa do negócio. “A marca teve logo imenso sucesso. Nunca esperei que as mulheres fossem usar tanto. Os tamanhos s esgotaram todos”, conta.

Aos 26 anos, Miguel Marques da Costa gere a própria marca de roupa. As primeiras duas coleções foram produzidas no Quénia, Madonna é cliente © Divulgação

A marca havia sido concebida para homens, mas foram elas a fazer descolar as vendas. Antes de Portugal, através da loja online, Miguel começou a receber encomendas de França, Reino Unido, Itália e Estados Unidos. A clientela espanhola veio depois, tal como as restantes nacionalidades, atraída pela leveza do algodão, pelo exotismo dos padrões e pela versatilidade das peças. “Acho que a fórmula do sucesso é mesmo a simplicidade do produto. A mesma peça pode ser vestida por um homem ou por uma mulher, numa saída à noite ou numa ida à praia, por miúdos de 15 anos ou por homens e mulheres de 85”, explica.

“Os portugueses só começaram a querer usar quando as viram lá fora”, admite. Lá fora e nas redes sociais de Madonna, que há precisamente um ano apareceu com uma camisa C.R.T.D. no Instagram. Uma surpresa para Miguel, que achava que as peças oferecidas por uma amiga em comum eram para os filhos da cantora. Entretanto, já quis mais e a marca ganhou uma embaixadora de luxo. A nova coleção acaba de sair, também ela feita no Quénia e com tecidos escolhidos na região. Depois das camisas, vieram as calças. Miguel admite ter subestimado os seus clientes quando optou por produzir poucas unidades. Para homens e para mulheres, o visual pijama colou e já está quase tudo esgotado. As camisas continuam a ser o produto mais procurado. Atualmente, existem com 64 padrões diferentes. Os preços vão dos 31 aos 86 euros.

Madonna já partilhou fotografias no Instagram a usar camisas da C.R.T.D. © Instagram.com/madonna

A loja do Museu do Arroz, na Comporta, continua a ser o principal ponto de venda físico. Miguel pensa agora em alargar a distribuição e sobretudo em ações pop-up que levem a marca mais além. Curiosamente, o Quénia não é o mais longe que quer ir. Depois das primeiras duas coleções, a C.R.T.D. ambiciona outras latitudes, mas também outras silhuetas. “Quero contar uma história em cada coleção”, refere. Fatos e peças em caxemira então entre as ideias em cima da mesa. A produção será sempre limitada, como convém a uma marca que veste estrelas.

Na fotogaleria, reunimos algumas das peças da nova coleção da C.R.T.D..