O filme “Francisca”, de Manoel de Oliveira, vai ser exibido, numa versão restaurada, no 76.º Festival de Cinema de Veneza, que decorre entre 28 de agosto e 07 de setembro em Itália, foi anunciado esta quarta-feira.

“Francisca”, de 1981, será exibido na secção “Venice Classics”, na qual é apresentada “uma seleção das melhores versões restauradas de clássicos do cinema, da responsabilidade de arquivos de cinema, instituições culturais e produtoras de todo o mundo”, de acordo com a organização do festival num comunicado divulgado.

Este ano, a secção inclui ainda, entre outros, “O Sheik Branco” (1952), de Federico Fellini, “La commare secca” (1962), de Bernardo Bertolucci, “Angústia de Viver” (1980), de Dennis Hopper, “New York New York” (1977), de Martin Scorsese, e “Crash” (1996), de David Cronenberg.

Nesta secção, competitiva, será ainda exibida “uma seleção de documentários sobre cinema e os seus autores”.

Os filmes exibidos na “Venice Classics” competem pelos prémios de Melhor Filme Restaurado e Melhor Documentário sobre Cinema, cujos vencedores são escolhidos pelo Júri de Estudantes de Cinema, presidido pela realizadora e argumentista Costanza Quatriglio.

O alinhamento completo da secção “Venice Classics” será anunciado na conferência de imprensa de apresentação do programa do 76.º Festival de Cinema de Veneza, marcada para quinta-feira.

“Francisca”, realizado em 1981 e apresentado nesse ano no Festival de Cinema de Cannes, na Quinzena dos Realizadores, é uma adaptação ao cinema do livro “Fanny Owen”, de Agustina Bessa-Luís.

A versão restaurada que vai ser apresentada em Veneza é da responsabilidade da Cinemateca Portuguesa.

De acordo com aquela instituição, “o restauro em DCP teve origem na digitalização 4K do negativo de câmara em 35mm conservado pela Cinemateca” e “a correção de cor (Cinemateca) e o restauro digital da imagem (IrmaLucia) foram feitos usando uma cópia de época como referência”.

“O som foi digitalizado a partir de um positivo de som tirado pela Cinemateca”, refere a instituição num comunicado divulgado recentemente.

Manoel de Oliveira morreu em 2015 aos 106 anos, na sua casa, no Porto, a cidade onde nasceu a 11 de dezembro de 1908.

O último filme do cineasta foi a curta-metragem “O velho do Restelo”, “uma reflexão sobre a Humanidade” com quatro atores de eleição: Luís Miguel Cintra, Ricardo Trepa, Diogo Dória e Mário Barroso, estreada em dezembro de 2014, por ocasião do 106º aniversário.

O primeiro contacto com o cinema foi como ator, quando aos 19 anos fez figuração no filme “Fátima Milagrosa”, de Rino Lupo, e com algumas experiências com cinema de animação.

A paixão pelo cinema rivalizava com o gosto pelo atletismo (foi campeão de salto à vara) e pelo automobilismo, modalidade em que conquistou alguns prémios.

“Douro, Faina Fluvial”, uma curta-metragem documental sobre a vida nas margens do rio Douro, foi o primeiro filme que Manoel de Oliveira rodou, então com 23 anos, com uma câmara oferecida pelo pai.

Da sua extensa filmografia fazem também parte, entre outros, “Aniki-Bobó”, “Os Canibais”, “Non ou a Vã Glória de Mandar”, “Vale Abraão”, “A Caixa”, “O Convento”, “Party” e “A Carta”.