O presidente do município cabo-verdiano da Praia, Óscar Santos, regressou esta sexta-feira ao trabalho, 17 dias após o ataque a tiro que sofreu, agora com segurança reforçada, e garantiu que vai ficar “muito mais atento”, mas a tomar decisões.

O presidente da Câmara Municipal da Praia, na ilha de Santiago, foi atacado à porta de um ginásio que frequenta e atingido com um tiro por encapuzados, que fugiram do local, sofrendo uma fratura do úmero direito.

Depois de uma cirurgia realizada no dia 02 de agosto, Óscar Santos estava em casa a recuperar da lesão, e regressou ao trabalho, onde foi recebido pelos vereadores e funcionários da câmara.

Nas suas primeiras declarações aos jornalistas, o autarca recordou que a primeira semana após o ataque foi difícil, mas decidiu regressar às suas funções, explicando que “era praticamente impossível estar tão perto e não estar a trabalhar”.

Mesmo estando em contacto permanente com os colegas, dando orientações e “decidindo algumas coisas”, Óscar Santos destacou o simbolismo do seu regresso.

“Era também importante dar um sentimento de calma às pessoas, face a muita especulação”, sustentou, indicando que uma das especulações é que teria sido transferido para tratamento em Portugal, o que não chegou a acontecer.

“Era importante marcar presença e com este ato acabar de vez com a especulação. Mas estou psicologicamente a 100%, a fazer as mesmas coisas”, frisou Santos, garantindo que não vai mudar “um milímetro” da sua vida, mas que vai estar “muito mais atento”.

“Aconteceu, agora é olhar sempre em frente. Não vale a pena estar agora a lamentar sobre aquilo que aconteceu”, salientou, indicando, porém, que agora vai passar a frequentar “todos os ginásios” na capital cabo-verdiana.

A partir de agora, Óscar Santos também passa a ter dois seguranças a tempo inteiro, disponibilizados pelo governo.

Após o ataque, o presidente da Associação Nacional dos Municípios Cabo-Verdianos (ANMCV), Manuel de Pina, disse que os autarcas do país enfrentam “riscos vários”, defendendo que o Estado tem que “garantir e melhorar” a segurança dos presidentes de câmaras.

Óscar Santos disse que concorda “plenamente”, explicando que os autarcas são eleitos para decidir, mas que são decisões que nem sempre agradam todo o mundo.

“A Câmara não funciona no vazio, no vácuo, tem sempre por base a lei, aliás todas as decisões sustentamo-las através da legislação em vigor. As pessoas que se sentem prejudicadas têm sempre mecanismos legais, podem recorrer. É por isso que existem tribunais. Não se pode nada à força, estamos num país civilizado”, mostrou.

O líder da autarquia continuou a defender que o ataque foi motivado por vingança por alguma decisão que tomou, referindo que não foi um atentado à pessoa, mas sim ao presidente da Câmara Municipal da Praia.

Sem querer entrar em especulações sobre as motivações do crime, o presidente disse esperar que os factos sejam apurados pelas autoridades cabo-verdianas, que estão a investigar o caso.

Óscar Santos preferiu não falar muito daquele dia 29 de julho, mas sim ter uma “atitude positiva” e estar “focado” no trabalho que tem pela frente no maior município de Cabo Verde, para o qual foi eleito em 2016 pelo Movimento para a Democracia (MpD, partido no poder governamental).

Se psicologicamente disse estar bem, o líder municipal, que dá aulas de ginástica e é presidente da Federação Cabo-verdiana de Taekwondo, afirmou que só ficará a 100% fisicamente quando voltar ao ginásio e tiver “100 quilos debaixo do peito a fazer ‘bench press'”.