Depois de chegar à final de K1 1000 metros com o melhor tempo entre os nove apurados mas não conseguir mais do que o terceiro lugar, garantindo a medalha de bronze, Fernando Pimenta disputava este domingo a final de K1 5000 metros dos Mundiais de canoagem que estão a decorrer na Hungria. O atleta português, que na Taça do Mundo de junho foi ouro na mesma distância mas nos Jogos Europeus ficou atrás de Balint Kopasz, tinha como objetivo chegar à vitória e vingar o terceiro lugar na prova de distância mais curta — em que, apesar de tudo, garantiu o apuramento para os Jogos Olímpicos do próximo verão.

Na prova deste domingo, Fernando Pimenta conquistou a medalha de bronze e falhou a defesa do título mundial de K1 1000 metros. O atleta português junta outro bronze ao que já tinha vencido este sábado e acrescenta outra medalha ao palmarés, depois das duas de prata nos Jogos Europeus e de outras duas que alcançou na Taça do Mundo. Numa final que teve várias falsas partidas, com o canoísta da República Checa a adiantar-se ao tiro inicial em mais do que uma ocasião, Pimenta colocou-se numa zona de destaque logo nos primeiros metros mas acabou por perder terreno a perto de meio da corrida, devido a uma viragem que teve vários toques.

O canoísta natural de Ponte de Lima passou por algumas dificuldades na segunda metade da prova mas acabou por beneficiar da quebra de rendimento de Artuur Peters, o atleta da Bélgica, para alcançar o melhor dos males e fechar o pódio, garantindo a medalha de bronze na final de K1 5000 metros. O bielorrusso Aleh Yurenia ficou em primeiro, seguido de perto pelo alemão Max Hoff, que foi prata.

Com as duas medalhas de Pimenta, Portugal ficou em 19.º no mundial que reuniu um recorde de 102 países e 1.300 canoístas.

Registando uma evolução assinalável na última época, destaque para o K4 500 de Emanuel Silva, João Ribeiro, Messias Baptista e David Varela, primeiro com apuramento para a final e depois com o sexto lugar — classificavam sete para Tóquio -, a somente 15 centésimos da medalha de bronze.

Rui Fernandes, pegou na tripulação há um ano, e, garantido o êxito e dada a proximidade do pódio, o treinador assumiu que a medalha pode estar ao alcance desta tripulação.

Teresa Portela, que esteve focada no K4 500, voltou a competir na regata das medalhas de K1 200, a qual atingiu com excelente prova, ainda que não tenha alcançado um dos cinco lugares para Tóquio.

O facto de três das cinco que a bateram terem conseguido ficar também no top cinco de K1 500, acaba por libertar vagas para a distância mais curta, o que beneficia Portugal: esse resultado deve ser homologado nos próximos dias.

Do lado negativo do desempenho luso, o K4 500 de Joana Vasconcelos, Teresa Portela, Francisca Laia e Francisca Carvalho, que nem à final B — na qual o primeiro e o segundo ainda aspiram a vaga — chegou, depois de uma dececionante nona posição na sua meia-final.

A C2 1000 dos jovens Marco Apura e Bruno Afonso também esteve aquém do seu potencial, ficando-se pelo oitavo lugar na sua semifinal: nas duas regatas disputadas, abdicaram do resultado sensivelmente a meio da prova.

O GNR Hélder Silva é especialista nos 200 metros na C1, acabando em oitavo a escassos 57 centésimos do quarto classificado, e em Szeged tentou o ‘impossível’ nos 1000 metros, acabando por ficar a um segundo de atingir as meias-finais.

Em maio de 2020, em Duisburgo, Alemanha, há vagas por disputar em K1 e K2, C1 e C2 e agora é tempo de a federação decidir a melhor estratégia para engrossar o lote de competidores para o Japão, com exigência menor do que os mundiais, face às quotas continentais: a Europa é, claramente, onde a canoagem é mais forte.

Na paracanoagem, destaque para Norberto Mourão, que se sagrou vice-campeão do Mundo em VL2 200 metros e vai estrear a modalidade dos Jogos Paralímpicos.

Floriano Jesus ficou a um lugar da final de KL1 e o jovem Hugo Costa, com apenas três anos de canoagem, foi à final B de KL2, devendo ambos tentar a sorte também em maio de 2020.