Há um continente do tamanho da Gronelândia sepultado debaixo dos nossos pés e só agora, 120 milhões de anos depois de se ter perdido, é que os cientistas descobriram como é que veio cá parar. Grande Adria, assim se chamava, chocou contra a Europa e mergulhou debaixo dela quando o movimento das placas tectónicas, gerado pelo magma, a colocou em rota de colisão com o Velho Continente. Que ele existia, isso já sabíamos. Mas esta é a primeira vez que conseguimos perceber como é que foi parar a 1.500 quilómetros de profundidade.

A história de Grande Adria começou há 240 milhões, quando o hemisfério sul da Terra estava dominado por um supercontinente, o Gondwana, que juntava os territórios de África, Antártida, Austrália e América do Sul.

Gondwana começou a desmembrar-se e Grande Adria assumiu-se como um continente independente que ficava no atual território entre o Irão e a atual região dos Alpes.  Algumas partes estavam submersas, outras ficavam à tona, formando ilhas e arquipélagos. Houvesse humanidade na altura e Grande Adria seria “uma região para se fazer mergulho”, aposta Douwe van Hinsbergen, autor principal da investigação publicada na revista científica Science.

O fenómeno que afastou Grande Adria do continente-mãe foi o mesmo que, entre 100 e 120 milhões de anos depois, a condenou ao desaparecimento. Por ser feito de material muito mais denso que o continente euroasiático, a Grande Adria sucumbiu por baixo dele e começou a afundar-se pela astenosfera. No entanto, deixou para trás as pistas que os cientistas usaram para a encontrar — rochas que se amontoaram em montanhas espalhados por 30 países. Foi nelas que os cientistas encontraram o “mapa do tesouro” para encontrar o continente perdido.

As rochas deixadas pela Grande Adria tinham pequenos minerais magnéticos que as bactérias mais primitivas produziam para se orientarem através do campo magnético da Terra. Esses minerais ficaram encapsulados nas rochas sedimentares, “mumificadas” no tempo, permitindo aos investigadores saber exatamente a orientação que exibiam quando foram produzidas pelas bactérias. Foi assim que Douwe van Hinsbergen e os colegas conseguiram reconstruir, passo a passo, a ascensão e declínio de Grande Adria.