Julian Assange está prestes a completar a pena a que foi condenado no Reino Unido — a 22 de setembro —, mas o risco de fuga vai fazer com que continue detido até que seja decidida a sua extradição para os Estados Unidos, noticiou a BBC.

A única pena que Assange tem de cumprir no Reino Unido está relacionada com o facto de ter violado a liberdade condicional, a que estava sujeito em 2012. Na altura, em vez de se apresentar no tribunal, o fundador do Wikileaks pediu asilo político ao Equador para evitar a extradição para a Suécia. Ao fim de sete anos, foi expulso da embaixada e acabou detido pela autoridades britânicas e condenado pela violação das medidas de coação aplicadas na altura.

Agora, o australiano terá de enfrentar um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos. Por isso, e devido ao risco de fuga, mesmo quando a pena britânica terminar no dia 22 de setembro, Assange continuará preso até 25 de fevereiro, quando terão início as audiências para a extradição.

“[Quando a pena chegar ao fim] o seu estatuto muda de prisioneiro para uma pessoa que enfrenta extradição”, disse a juíza Vanessa Baraitser a Julian Assange por vídeo conferência.

Nos Estados Unidos, o jornalista enfrenta 18 acusações — 17 das quais feitas pela administração Trump, segundo o jornal The New York Times —, incluindo uso indevido do computador e revelação não autorizada de informação sobre a defesa nacional. O processo de extradição promete ser longo e difícil, como refere o jornal, devido a importantes questões diplomáticas e políticas.

A Suécia também pediu a extradição do fundador do Wikileaks, em causa um alegado caso de violação que Assange nega. O caso já estava encerrado, mas foi reaberto em maio.