Lauren Garrett é candidata a autarca em Hamden, no estado norte-americano de Connecticut, e no dia 7 de Setembro conduziu o seu Tesla Model 3 até ao restaurante, onde iria encontrar-se com o marido e os dois filhos do casal, que se deslocaram no segundo Tesla da família, um Model X. Terminado o jantar e quando se preparavam para regressar a casa, descobriram que o Model 3 tinha desaparecido. Foi então que começou a parte mais animada da noite.

Qual James Bond, armados não com as últimas criações inventadas pelo criativo agente Q, mas sim com a app da Tesla, descobriram rapidamente onde estava o carro roubado e partiram no seu encalço. Pai, mãe e dois filhos, a bordo do Model X. “Através da app conseguíamos controlar a velocidade e a localização. O carro deslocava-se entre 48 e 55 km/h e nós podíamos ver onde se encontrava”, explicou a “mãe Bond” ao jornal New Haven Independent.

Como o Model 3 não estava longe e circulava a baixa velocidade, a família Garrett rapidamente o apanhou, não antes da candidata ter ligado a um amigo da polícia para se certificar que o carro não teria sido rebocado pelas autoridades. Como a resposta foi negativa, confirmando a tese do roubo, o pai Garrett decidiu “apertar” com o ladrão que, sem grande coisa a perder, decidiu acertar com o Model 3 no Model X, fazendo disparar a conta no bate-chapas.

Percebendo que conseguiam rastrear o Tesla, o ladrão afastou-se a grande velocidade, para abandonar o carro uns cruzamentos mais à frente. Quando lá chegaram, os Garrett finalmente tomaram posse do carro e ligaram à polícia. E foi aqui que começou a parte menos divertida da noite, especialmente no que respeita à candidata.

Ao ver o pai e a mãe brincarem aos polícias e ladrões, com dois filhotes dentro do carro, o polícia repreendeu-os duramente, acusando-os de um comportamento irresponsável e de colocarem os dois filhos em risco. O actual autarca, adversário de Lauren nas próximas eleições, viu neste deslize uma mina de ouro (eleitoral) e tratou de “surfar” a onda das críticas aos progenitores armados em James Bond. Que então decidiram cometer mais um erro: mentir.

Alegaram os Garrett que apenas tinham seguido o carro a uma distância de segurança, nunca tendo interagido com o ladrão e muito menos o bloqueado. Porém, a candidata desconhecia (e não devia) que, no Connecticut, os polícias usam obrigatoriamente câmaras de vídeo no peito e que estas registam tudo o que acontece, tanto imagem como som. Assim que o polícia chegou ao local, registou uma conversa telefónica em que o pai Bond contava a história com todos os pormenores, desmentindo a candidata. Esta terá agora menos possibilidade de alcançar a vitória nas urnas, mesmo se alegando que a polícia estava em conluio com o seu rival para a prejudicar politicamente.

Como se tudo isto não bastasse, para explicar como o roubo pode ter acontecido, os Garrett viram-se obrigados a admitir – se não o fizessem, a polícia contactaria a Tesla, que esclareceria a situação – que Lauren tinha deixado o carro aberto e o seu Model 3 não tinha o “PIN to Drive” activado, ou seja, o ladrão apenas teve de abrir a porta, sentar-se e ir à sua vida, de Tesla. Depois desta odisseia, Lauren vai ter algumas dificuldades em que alguém lhe confie o seu voto. Quando muito, o ladrão.