O Porsche Macan está longe de figurar entre os SUV de maiores dimensões do mercado, mas não aos olhos dos habitantes de Berlim, que o acusam de, por ser grande e pesado, ter atropelado e morto quatro peões que passeavam descontraidamente num passeio no centro da cidade. Uma opinião que é partilhada por muitos responsáveis políticos alemães, que devido ao trágico acidente querem banir os carros mais pesados e de maiores dimensões dos centros, pois não só são mais poluentes, como apresentam um maior risco para os outros em caso de acidente.

O acidente aconteceu numa das mais conhecidas artérias no coração de Berlim, quando um condutor de 42 anos ao volante de um Porsche Macan, em que se deslocava acompanhado por dois passageiros, perdeu o controlo do SUV num sinal vermelho. Segundo as testemunhas, apesar de o Macan ter embatido violentamente num veículo ligeiro, continuou a sua marcha rumo ao passeio, onde atropelou mortalmente uma criança de três anos e a sua avó de 64, além de dois homens, de 28 anos e outro de 29, o primeiro espanhol e o segundo britânico.

As razões para o acidente ainda estão a ser investigadas pelas autoridades, existindo várias explicações, mas ainda sem confirmação. Para a ministra dos Transportes, Simone Buser, “o que importa agora é determinar as causas deste terrível acidente”. Oliver Krischer, o líder do partido dos verdes, depois de ter constatado que “este tipo de veículos constitui um perigo para peões e ciclistas”, desafiou as autoridades federais a “estabelecer um limite para as dimensões dos veículos que podem aceder ao centro”.

Na mesma nota, o grupo Acção Ambiental Alemã exigiu à chanceler Angela Merkel, aqui enquanto a responsável pela associação dos fabricantes de automóveis, que se oponha à invasão do que chama “tanques da cidade”, sugerindo taxas punitivas para veículos que emitam mais de 130g de CO2/km. Estudos realizados pela direcção federal de estatística mostram que mais pessoas morreram em acidentes envolvendo SUV durante 2018, do que automóveis de dimensão média ou pequena. Apesar dos desportivos, grande limusinas e furgões também contribuírem fortemente para estes maus resultados.

Mais grave, para os condutores dos SUV, bem como para as marcas que os produzem, é a posição do presidente da câmara do distrito, Stephan von Dassel. De acordo com o Spiegel, Dassel afirmou que “os carros tipo tanque não têm lugar na cidade. Matam o clima e, ao mínimo erro de condução, transformam-se num perigo mortal para uma série de inocentes”.