O ministro dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos considerou esta terça-feira inaceitável que o Presidente do Irão justifique os ataques a instalações petrolíferas da Arábia Saudita como uma defesa dos Huthis devido aos bombardeamentos sauditas.

“Justificar um ataque terrorista sem precedentes contra as instalações da Aramco com os desenvolvimentos da guerra no Iémen é completamente inaceitável”, afirmou Anwar Gargash no Twitter oficial do país.

Anwar Gargash reagia a declarações do Presidente do Irão, Hassan Rohani, feitas na Turquia, onde se encontrou com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, e com o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Rohani considerou na segunda-feira que os ataques da Arábia Saudita, reivindicados por rebeldes Huthis, foram “apenas uma defesa”.

O povo do Iémen não pode simplesmente ficar a olhar enquanto o seu país é destruído. Defende o seu país e realiza contra-ataques”, disse o líder iraniano, referindo-se à ação reivindicada pelos rebeldes Huthis, que combatem a Arábia Saudita na guerra do Iémen.

No mesmo tweet, Gargash admitiu que “o ataque contra a Arábia Saudita é uma escalada perigosa em si mesma” e apelou aos países árabes e à comunidade internacional para que mantenham “a posição correta”, ficando do lado da Arábia Saudita para ter “estabilidade e segurança na região”.

A Arábia Saudita não acusou diretamente o Irão de lançar o ataque no sábado, preferindo esperar pelos resultados de uma investigação para a qual pediu a participação de especialistas internacionais e da ONU.

Por seu lado, a coligação liderada pela Arábia Saudita disse na segunda-feira que, com base nos resultados preliminares da investigação, as armas do ataque eram “iranianas” e que as ações não foram lançadas do Iémen, como alegaram os Huthis.

Segundo imagens de satélite divulgadas por órgãos de comunicação social norte-americanos, os dispositivos que lançaram o ataque terão sido disparados no Noroeste, onde estão localizados o Irão e o Iraque, e não do Iémen, a Sul da Arábia Saudita.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o Irão de ser responsável pelo ataque, embora as autoridades iranianas tenham negado qualquer envolvimento.

O conflito no Iémen começou no final de 2014, quando os rebeldes ocuparam a capital Sanaa e outras províncias do país e expulsaram o Presidente Abdo Rabu Mansur Hadi, atualmente exilado na Arábia Saudita.

Riade e os seus aliados árabes intervêm militarmente no conflito desde março de 2015 para tentar derrotar os Huthis e recuperar o líder exilado, o que levou o Iémen a tornar-se no cenário da pior crise humanitária do mundo, segundo a ONU.

Os rebeldes Huthis ameaçaram na segunda-feira lançar novos ataques contra objetivos na Arábia Saudita.

A ação contra as duas refinarias da gigante petrolífera saudita Aramco, líder mundial, reduziu a produção de petróleo em cerca de 5,6 milhões de barris por dia e fez com que o preço do petróleo disparasse.