Wolf Hall, da escritora inglesa Hilary Mantel, foi considerado pelo The Guardian o melhor trabalho de ficção publicado depois do ano 2000. O jornal britânico, que reuniu uma lista de 100 livros de autores como J.K. Rowling, Bob Dylan, Ali Smith ou Colson Whitehead, escolheu a obra inaugural da trilogia sobre a ascensão de Thomas Cromwell na corte de Henrique VIII pelo seu “sentido de história que ouve e conversa consigo própria”.

Publicado em 2009, Wolf Hall é um romance histórico que fala sobre a rápida ascensão de Cromwell depois da morte de Thomas More. Outrora um dos favoritos do rei, More foi detido em 1533 e executado por traição dois anos depois. O livro, o primeiro da trilogia sobre o principal ministro de Henrique VIII a partir de 1934, ganhou o Man Booker Prize e foi finalista do Golden Booker, um prémio criado em 2018 para comemorar os 50 anos do galardão literário inglês. O Golden acabou, contudo, por ir para O Doente Inglês, de Michael Ondaatje, por escolha dos leitores.

O romance de Hilary Mantel ganhou o Man Booker Prize em 2009 e foi nomeado para o Golden Booker em 2018

Por altura da sua publicação, o crítico literário Christopher Taylor (que previu que o romance ganharia um dos grandes prémios de literatura do país) descreveu Wolf Hall como tendo sido “escrito de forma lírica, mas ao mesmo tempo limpa e arrumada”, “imaginado de forma sólida, mas ao mesmo tempo com ressonâncias assustadoras e às vezes muito divertido”. “Não é parecido com nada do que existe na ficção contemporânea britânica”, disse, salientando o facto de a escritora ter tornado Cromwell num “racionalista moderno com roupa renascentista”.

Foi precisamente este diálogo que parece existir entre os tempos de Henrique VII e os de hoje que o The Guardian salientou ao nomear o romance de Mantel o melhor do século XXI:

“Os detalhes superficiais são sensuais, vividamente imediatos, a linguagem fresca como um quadro acabado de pintar; mas a sua exploração do poder, destino e fortuna é também profundamente pensada e está constantemente em diálogo com a nossa era, já que somos moldados e criados pelo passado.  Neste livro, temos, como a autora intendeu, ‘um sentido de história que ouve e que conversa consigo própria”, referiu o jornal.

Hilary Mantel publicou a sequela de Wolf Hall, Bring Up the Bodies, em 2012. O livro foi igualmente elogiado pela crítica, tendo sido galardoado também com o Booker e ainda com dois Costa Awards. O terceiro e último volume da trilogia vai ser publicado em março de 2020, 11 anos depois de Wolf Hall ter tornado a sua autora, então com 57 anos de idade e 24 de carreira, famosa. Chamar-se-á The Mirror and the Light.

Artigo atualizado às 20h50 com a correção da referência de que os livros não se encontram publicados em Portugal