O Man Booker Prize faz 50 anos e decidiu que não podia deixar a data passar em branco. Foi assim que nasceu o Golden Man Booker Prize, o galardão que pretende premiar o melhor romance entre os vencedores das últimas cinco décadas do maior prémio de literatura de língua inglesa.

Depois de uma primeira fase em que um grupo de jurados (constituído pelo escritor Robert McCrum, o poeta Lemn SissayMBE, os romancistas Kamila Shamsie e Simon Mayo e a poetiza Hollie McNish) leu todos os galardoados, foi anunciada, este sábado, a lista dos cinco finalistas ao Golden Booker — um por cada década. O anúncio foi feito no Hay Festival, um festival literário do País de Gales. A shortlist é a seguinte:

  • In a Free State (1971), do Prémio Nobel da Literatura V.S. Naipaul (publicado pela Picador);
  • Moon Tiger (1987), de Penelope Lively (publicado pela Penguin);
  • The English Patient (1992), de Michael Ondaatje (publicado pela Bloomsbury);
  • Wolf Hall (2009), de Hilary Mantel (publicado pela Fourth Estate);
  • Lincoln in the Bard (2017), de George Sanders (publicado pela Bloomsbury).

In a Free State (publicado em português com o título Num Estado Livre, pela Quetzal), de V.S. Naipaul, foi o terceiro romance a receber o Man Booker Prize, atribuído pela primeira vez em 1969. Foi escolhido por Robert McCrum, que o descreveu como o melhor romance vencedor da década de 1970. “Um livro perturbador sobre pessoas deslocadas num mundo perigoso que podia ter sido escrito ontem. Um clássico por todas as razões”, afirmou o escritor e editor. O escritor de 85 anos nascido em Trinidad e Tobago é o mais velho vencedor do Booker ainda vivo.

O romance escolhido para representar a década de 80, Moon Tiger, de Penelope Lively, foi escolhido por Lemn SissayMBE devido à “vigorosa habilidade” da autora de “pintar a sua personagem e o mundo em que ela vive”. Já The English Patient, do autor srilanquês Michael Ondaatje, foi selecionado por Kamila Shamsie para os anos 90. “É um romance raro que entra dentro de nós e que obriga a que voltemos a ele várias vezes, descobrindo sempre uma nova surpresa ou alegria”, disse a romancista. A obra foi adaptada ao cinema em 1997, pelo realizador Anthony Minghella. O filme arrecadou nove Óscares.

Wolf Hall, de Hilary Mantel, foi escolhido de Simon Mayo. Questionado sobre a sua escolha, o autor salientou a atualidade da obra de Mantel, que questiona a própria Inglaterra. Hilary Mantel é a única mulher a ter ganhado duas vezes o Man Booker Prize — em 2009, com Wolf Hall, passado entre os anos de 1500 de 1535, e com Bring Up the Bodies, em 2012.

O representante da última década é, sem dúvida, o mais surpreendente — Lincoln in the Bard (traduzido em português pela Relógio d’Água) foi o vencedor da edição do ano passado do galardão inglês e foi selecionado pela poetiza Hollie McNish, que admitiu nunca ter lido um nada como o primeiro romance de George Sanders que, até 2017, tinha apenas publicado contos. “É engraçado, imaginativo e trágico, mas é também uma obra de génio na sua originalidade e estrutura”, explicou McNish.

A partir de hoje, os leitores vão poder votar, no site do Booker, no seu candidato favorito ao Golden Prize. A votação online irá decorrer até 25 de maio e o vencedor será anunciado a 8 de julho, durante o festival que pretende celebrar os 50 anos do prémio literário, no Southbank Centre, em Londres.