O Cruzeiro não atravessa propriamente a melhor fase da temporada e chega inclusive ao arranque da segunda volta nos lugares de despromoção, em disputa pelo primeiro lugar acima dessa zona com outro histórico mas do Rio de Janeiro, o Fluminense. Ainda assim, o Flamengo, que terminou a metade inicial do Campeonato a reforçar a liderança com um triunfo frente ao Santos, tinha esta jornada um encontro complicado que funcionava como mais um teste à real capacidade do conjunto em aguentar a pressão do primeiro lugar e manter o sonho de quebrar o jejum de títulos. Teste superado e com distinção.

Com Gabriel Barbosa a manter a pontaria afinada como tinha acontecido nas últimas seis partidas (e a celebrar o golo com gestos para a TV, depois de lhe ter sido vetada a ideia de levantar um cartaz como chegou a acontecer…) e Arrascaeta a não perdoar frente à antiga equipa, o Flamengo venceu o Cruzeiro por 2-1 e bateu um recorde histórico: nunca o clube do Rio de Janeiro tinha conseguido somar sete triunfos consecutivos para o Campeonato como atravessa neste momento.

“Não sabia que o Flamengo conseguiu um recorde de vitórias consecutivas… O que posso dizer? É bom mas se olharem para o meu currículo podem ver que estou habituado a ter 12, 13 vitórias seguidas. A verdade é que ainda não atingimos o nosso objetivo. Chegámos ao topo e temos que defender a nossa posição. É importante, dá-nos esperança de atingir o objetivo. Sei fazer comparações e volto a dizer que o Campeonato brasileiro é muito competitivo e com um ambiente incrível, com muita paixão. O Brasil devia vender melhor este produto”, comentou Jorge Jesus sobre o registo alcançado, antes de passar ao contra-ataque numa conferência que chegou à arbitragem e até à seleção brasileira, que revelou esta semana os convocados.

“Foi uma vitória difícil porque a equipa do Cruzeiro tem bons jogadores. Ainda não se encontrou como equipa mas quando esses jogadores enfrentam equipas grandes, como é o Flamengo, jogam bem. Além disso, o relvado estava mau, alto, o que tirou qualidade. O Flamengo está muito motivado, muito confiante e hoje fez mais um jogo muito correto. É uma que vitória não deixa dúvidas. Poderia ter sido mais fácil se o penálti não tivesse sido marcado, é difícil marcar golos ao Flamengo. O Rodrigo Caio não tocou no Pedro. Na dúvida, é sempre contra o Flamengo. Não quero ser favorecido pelas arbitragens, mas também não quero ser prejudicado”, deixou na análise ao jogo, recordando outras grandes penalidades não assinaladas sobre Bruno Henrique.

“Vamos perder agora os jogadores convocados pelo Brasil e o Arrascaeta. Vai ser um período complicado. Não entendi muito bem a decisão do treinador do Brasil porque tinham dito que ia apenas um por equipa. Na Argentina, o técnico teve o cuidado de não levar do Boca Juniors e do River Plate mas aqui é mais importante jogar com o Senegal e com a Nigéria. Parece-me que é uma questão financeira”, atirou também, analisando a última convocatória de Tite e projetando já a primeira mão da meia-final da Taça dos Libertadores, contra o Grémio em Porto Alegre, no início do próximo mês.