Setembro não tem por hábito ser um mês de Globos de Ouro, talvez por isso os habituais (e péssimos) excessos tenham passado ao lado da passadeira vermelha da 24ª edição dos prémios da SIC. O arrojo foi contido. Focou-se antes em silhuetas sóbrias, rasgadas por decotes ousados, que, mesmo assim, não comprometeram o bom gosto das estrelas do entretenimento nacional. Afinal, falamos da noite que Portugal tem de mais parecida com os grandes Óscares. Sem sequer vislumbrarmos comparações, este é (e voltou a ser) o cenário ideal para se medirem caudas e para se contarem lantejoulas.

Cláudia Vieira © Melissa Vieira/Observador

É uma noite que tende a celebrar a moda nacional, com os designers portugueses a assinarem visuais exclusivos, embora o feito à medida nunca tenha livrado ninguém de cair em desgraça. Ainda assim, o rol de criadores convocado na noite de domingo pode dar, em traços muito gerais, o seu dever por cumprido. Luís Carvalho levou a bom porto a tarefa de vestir uma Cláudia Vieira grávida — com simplicidade, leveza e juventude –, Gonçalo Peixoto, outro nomeado, entrou para o quadro de mérito, sobretudo pela criação usada por Raquel Strada.

Jogar pelo seguro parece ter sido, aliás, a grande aposta da noite. Vimos vestidos que, pela simplicidade, não tinham como dar errado — o Nuno Baltazar de Victoria Guerra, o Carolina Carvalho de Mariana Monteiro, o Elsa Barreto de Mariana Pacheco, o Pronovias de Dânia Neto, o Lanvin de Débora Monteiro e ainda o conjunto de duas peças de Isabela Fontana, da autoria da portuguesa Imauve.

Sharam Diniz © Melissa Vieira/Observador

A geometria dos decotes, essa ciência mais ou menos exata que, volta e meia, nos faz contorcer o pescoço e puxar pela cabeça, tais são as proezas de engenharia (se bem que, depois de Jennifer Lopez nos Grammy Awards, em 2000, foram poucas as leis da física que ficaram por desafiar). Diana Chaves, numa criação do francês Stéphane Rolland, deu o mote. Um corte transversal, desde o ombro até meio da barriga, fez deste visual o mais exposto da noite. Felizmente, as fitas adesivas cumpriram a sua função e, apesar do arrojo, a apresentadora da SIC conseguiu espalhar a sua dose de classe pela passadeira vermelha. Também de branco, Sara Matos exibiu um decote assimétrico e profundo. Carolina Carvalho, em Juliana Herc, Isabela Valadeiro e Raquel Prates também aderiram à tendência, qualquer uma delas dentro dos limites do bom gosto, por muito discutíveis que eles sejam.

Diana Chaves © Melissa Vieira/Observador

O branco esteve, decididamente, entre as cores da noite. Carolina Patrocínio e Ana Rita Clara (ambas com vestidos Pronovias, por sinal) escolheram o tom para trazer leveza à gala de domingo. De branco vestiu-se também Mariama Barbosa, num visual, claramente, escolhido para aguçar a curiosidade. O blazer-vestido, através de um tecido rígido, criou o efeito de uma capa invertida, escondendo os braços da convidada. Mas tudo foi calculado e a plasticidade da peça permitiu-lhe voltar à forma inicial com um movimento relativamente simples. A atriz Mia Tomé, também de branco, resolveu dar a volta ao protocolo e trocou o clássico vestido por uma longa saia e por uma t-shirt com as palavras “Let’s Do It”. Neste campeonato entra ainda Carolina Deslandes, de vestido curto e botas Dr Martens.

Mariama Barbosa © Melissa Vieira/Observador

O amarelo foi outro dos pantones da noite. Andreia Rodrigues, Bárbara Bandeira, Liliana Campos, Jani Gabriel e a atriz Bárbara Branco pintaram a passadeira vermelha com a tonalidade canário, numa noite que, claramente, não ficou a dever nada às lantejoulas. Nesta categoria, destacaram-se Sharam Diniz, Inês Castel-Branco, Sofia Cerveira e Cláudia Jacques, mas nenhum dos visuais marcou a noite. Foram, por outro lado, os cortes assimétricos, os ombros descobertos e as rachas estratégicas os elementos que se fizeram notar.

Na fotogaleria, veja (ou reveja) os visuais que marcaram a passadeira vermelha da 24ª edição dos Globos de Ouro.