A Comissão Europeia anunciou esta quinta-feira a mobilização de mais dez milhões de euros para ajuda humanitária a Moçambique, na sequência dos ciclones Idai e Keneth que atingiram o país em março e abril deste ano. O novo pacote financeiro da União Europeia destina-se, segundo um comunicado, a reforçar a ajuda alimentar e os serviços de saúde nas regiões atingidas, bem como os preparativos para novos desastres, nomeadamente com a distribuição de ‘kits’ de emergência pelo país.

Os ciclones tropicais Idai e Kenneth deixaram um rasto de destruição que ainda é sentido pelos mais vulneráveis em Moçambique”, disse o comissário europeu para as Crises Humanitárias, Christos Stylianides. “Assumimos o compromisso de ajudar Moçambique durante o tempo que for preciso”, sublinhou.

A UE já mobilizou cerca de 17 milhões de euros em assistência humanitária após esta catástrofe para Moçambique (10,5 milhões de euros), o Zimbabué (4,5 milhões de euros) e o Maláui (mais de 2 milhões de euros). O Mecanismo de Proteção Civil da UE também foi ativado em Moçambique, onde nove Estados-membros (Áustria, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Luxemburgo, Portugal, Espanha e Reino Unido) forneceram assistência humanitária inicial, tendo a UE financiado em 75% os custos de transporte, que ultrapassaram os quatro milhões de euros.

Os 28 providenciaram ainda ajuda de longo prazo para a reconstrução do país, tendo sido angariados, na Conferência Internacional de Doadores, que decorreu na Beira, em 31 de maio e 1 de junho, uma verba de 200 milhões de euros, metade proveniente do Fundo Europeu para o Desenvolvimento e os outros 100 milhões estão disponíveis na forma de empréstimos do Banco Europeu de Investimento.

O ciclone Idai foi um dos piores desastres climáticos da África Austral. Quando atingiu a região em março, provocou inundações, deslizamentos de terra e ventos fortes, afetando quase três milhões de pessoas e causando quase 1.000 mortes em Moçambique, no Maláui e no Zimbabué. No dia 25 de abril, um segundo desastre, o ciclone tropical de categoria quatro Kenneth, atingiu a parte norte de Moçambique, afetando cerca de 300.000 pessoas em Cabo Delgado e deixando 40 mortos e 20.000 casas destruídas, segundo dados de Bruxelas.