O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, transmitiu às autoridades turcas preocupação pela instabilidade que a ofensiva de Ancara contra as forças curdas na Síria pode causar.

“Quero expressar a nossa preocupação pela operação turca no noroeste da Síria. Pelos riscos que pode provocar na região e pela forma como afeta os civis”, disse Stoltenberg numa conferência de imprensa em Istambul em que também participou o chefe da diplomacia da Turquia, Mevlut Çavusoglu. Stoltenberg sublinhou que a Aliança Atlântica tem consciência da “exposição” da Turquia em relação ao que chamou “volatilidade da região” assim como recordou que nenhum outro país acolhe tantos refugiados. “Há diferentes pontos de vista (sobre a ofensiva turca) dentro da Aliança”, disse Stoltenberg.

Por outro lado, o secretário-geral da NATO expressou preocupação pelo que pode acontecer no que diz respeito aos membros do grupo extremista Estado islâmico detidos na Síria, nos últimos anos, pelos curdos e pelas forças norte-americanas que foram retiradas da região após ordens do presidente Donald Trump. “Temos um inimigo comum, o Estado Islâmico. Os combatentes detidos não podem escapar. A comunidade internacional deve encontrar uma solução para organizar os combatentes estrangeiros na Síria”, disse.

A ofensiva turca, de grande escala, começou há 48 horas e, segundo Ancara, tem como objetivo afastar do norte da Síria as milícias curdas Unidades de Proteção Popular (YPG), consideradas pela Turquia como “grupo terrorista”.

Na quinta-feira, o presidente da Turquia ameaçou a Europa, afirmando que se Bruxelas classificar a operação militar como “ocupação” Ancara “vai abrir as portas” aos refugiados sírios que se encontram no país.