O novo álbum do fadista Camané e do pianista e compositor Mário Laginha, “Aqui está-se sossegado”, é editado no dia 15 de novembro, e inclui cinco temas inéditos e dois que Camané nunca gravou, anunciou a discográfica Warner Music. Este álbum, com produção musical e arranjos de Camané e Mário Laginha, sucede a “Camané canta Marceneiro” (2017), que recebeu, no ano passado, o Prémio Manuel Simões.

O fadista retoma neste CD um tema do repertório de Alfredo Marceneiro, “A Casa da Mariquinhas” (João da Silva Tavares e Alfredo Marceneiro), e gravou, pela primeira vez, “Com que voz” (Luís de Camões e Alain Oulman), e “Abandono” (David Mourão-Ferreira e A. Oulman) do repertório de Amália, além de “Não venhas tarde” (João Nobre e Aníbal Nazaré), de Carlos Ramos.

Ainda de Camões o fadista inclui o soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”, também musicado por Oulman, e recupera temas do seu repertório, como “Guerra das Rosas” (Manuela de Freitas e José Mário Branco), “Ela tinha uma Amiga”, também da dupla Freitas e J. M. Branco, “Dança de Volta” (Luiz de Macedo), sobre Fado Bailarico, de Marceneiro, Fado Lopes, de José Lopes, e “Quadras”, de Fernando Pessoa, no Fado Alfacinha, de Jaime Santos

Entre os inéditos, Camané volta a Pessoa, de quem gravou “Aqui está-se sossegado”, no Fado Espanhol, de Júlio Paiva, e que dá título ao CD. Outros temas nunca antes ouvidos são “Rua das Sardinheiras”, de Maria do Rosário Pedreira, outra poetisa habitual no seu repertório, com música de Mário Laginha, e “Se Amanhã Fosse Domingo”, de João Monge e Laginha, que também assina a composição “Rua da Fé”.

O fadista, neste álbum, é exclusivamente acompanhado ao piano por Mário Laginha, grande amigo com quem já colaborou e de quem gravou “Ai, Margarida”, um poema de Pessoa. A dupla projeta apresentar este disco, no dia 20 de dezembro, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

Ao longo da sua carreira de cerca de 40 anos, Camané tem sido distinguido com vários galardões, como o Prémio Europa — David Mourão-Ferreira e os prémios Amália e Blitz para Melhor Intérprete, assim como o Prémio Bordallo, da Casa da Imprensa.

Nascido em Oeiras há 51 anos, Camané começou a cantar e a gravar ainda jovem, influenciado pelo meio familiar.

Em 1979, venceu a Grande Noite do Fado de Lisboa, tendo participado, na década de 1980, em várias produções teatrais de Filipe la Feria, como “Grande Noite”, “Maldita Cocaína” e “Cabaret”, e fez parte do elenco da casa de fados Senhor Vinho, em Lisboa. Em 1995, gravou ao vivo o CD “Uma Noite de Fados”, no Palácio das Alcáçovas, em Lisboa, dando início a uma longa colaboração com José Mário Branco, como produtor. Três anos depois surgiu “Na Linha da Vida” e, em 2006, “Ao Vivo no S. Luiz”. Dois anos depois editou “Sempre de mim”, em que interpretou poetas como Luís Macedo e Pedro Homem de Mello, e resgatou composições inéditas de Alain Oulman, compositor exclusivo de Amália Rodrigues, falecido em 1990.

O fadista tem feito incursões noutros géneros musicais. Em 2005, abordou compositores brasileiros como Vinicius de Morais, no espetáculo “Outras Canções”, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, e, em 2014, atuou no Festival Île de France, em Paris, numa homenagem a Cesária Évora, acompanhado pelos músicos da cantora cabo-verdiana. Foi também um dos escolhidos para o projeto “Humanos”, com Manuela Azevedo e David Fonseca, que recuperou canções de António Variações, 20 anos após a morte deste autor, em 2004.