Os britânicos da Top Gear conseguem sempre juntar os melhores veículos de cada segmento, comparando-os em condições ideais. Desta vez, a escolha recaiu nas berlinas desportivas do segmento D, com pouco mais de 4,6 metros de comprimento, modelos até aqui liderados pelo Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio, BMW M3 e Mercedes C63 S, com o Alfa e o Mercedes a extraírem 510 cv dos seus motores, enquanto o M3 se fica pelos 431 cv. E é exactamente por estar a ficar mais “curto” de potência, face à concorrência, que a BMW está a preparar para breve o novo M3 que, entre muitos outros atributos, vai garantir mais de 500 cv.

O jornalista de serviço ao programa de televisão inglês, Chris Harris, decidiu juntar a esta tripla de luxo o Model 3 Performance da Tesla que, sendo a versão mais desportiva desta berlina, não tem propriamente os mesmos pergaminhos dos seus rivais. Nem o mesmo preço, pois se o Tesla é proposto em Portugal por 65.800€, o Giulia exige 109 mil euros, o BMW 110 mil (no seu último preço) e o Mercedes 122 mil euros.

Todos os adversários com motor de combustão são sobrealimentados, o Alfa com um V6 com 2,9 litros, o BMW com o seis cilindros em linha e 3.0 e o Mercedes, o mais refinado, a montar um 4.0 V8. A isto a Tesla responde com dois motores, um em cada eixo – o que lhe permite usufruir das vantagens da tracção integral –, um com 287 cv e o outro com 200 cv, modulados de forma a fornecer um acumulado de 450 cv. Se a berlina americana é a segunda menos potente, compensa ao ser a segunda com mais força (639 Nm contra 700 do C63 S, 600 Nm do Giulia e 550 do M3). O eléctrico tem ainda a vantagem de dispor de todo este binário logo desde as primeiras rotações, ao contrário dos seus concorrentes. Contudo, o Tesla é o mais pesado – baterias oblige –, acusando sobre a balança 1935 kg, mais do que os 1755 kg do Mercedes, 1695 kg do Alfa e 1635 do BMW.

O comparativo da Top Gear incidiu sobre dois tipos distintos de ensaios, o primeiro de arranque com partida parada e o segundo de maneabilidade e comportamento. No primeiro caso, e para evitar que o Tesla beneficiasse da sua proverbial vantagem até aos 100 km/h, Chris Harris optou por não se ficar pelos 0-100 km/h, nem pelo ¼ de milha (402 metros, que estes veículos deverão atingir a cerca de 200 km/h), mas sim pela meia milha, com o sprint de 804 metros a ser muito pouso usual neste tipo de comparativos e a elevar o grau de exigência para determinar qual o melhor entre tão distintos rivais.

Dada a partida, o Model 3 repetiu o arranque fulgurante que o caracteriza liderando o quarteto e continuou quase até à linha de meta, antes da qual foi ultrapassado pelo C63 S, que assim se sagrou o mais rápido de 0-804 metros. Classificou-se por curta margem à frente do Tesla, com o Alfa a ser 3º e o BMW 4º, o que abre ainda mais o apetite para a próxima geração do M3.

A fase seguinte do comparativo foi um circuito traçado no aeródromo que serve de zona de testes da Top Gear e, no vídeo, Chris Harris arranca com o Giulia Quadrifoglio para estabelecer o melhor tempo, ele que é um fã do comportamento do carro italiano. Depois de uma volta em 1 minuto, 04 segundos e 84 centésimos pelo Alfa, Harris muda para o volante do Model 3, para ver o que o carro eléctrico era capaz. Mais macio de suspensão, uma vez que o Tesla tem uma orientação mais familiar e confortável, o 3 Performance revela-se ágil e sobretudo um “canhão” à saída das curvas, devorando as pequenas rectas. No final era seu o melhor tempo, com 1.04,28, dando mais de meio segundo ao melhor dos desportivos a gasolina. Resta agora conhecer como ficaram classificados os dois restantes concorrentes na prova de comportamento, mas tudo indica que o Tesla poderá ter batido os rivais, com um 2º e um 1º lugar, a confirmar-se.