Este domingo, durante o jogo de futebol entre as equipas ucranianas Shakhtar Donetsk e Dinamo Kiev, o jogador Taison recebeu um cartão encarnado depois de se revoltar contra comentários racistas das claques adversárias. Como revela a Globo, Taison já divulgou que quer deixar o clube, só que o Donetsk não quer.

“Recusaram uma proposta do [AC] Milan agora no meio do ano de 30 milhões de euros. Imagina pedir para voltar agora? Não tem como”, disse o futebolista numa entrevista esta segunda-feira ao programa Bola nas Costas, da Rádio Atlântida, de Porto Alegre. “Depois de ontem, a primeira coisa que pensei foi: acho que está na hora de arrumar minhas coisinhas e voltar”, contou também.

Ao 74.º minuto, o futebolista, em resposta aos alegados abusos racistas, chutou a bola para a bancada e levantou o dedo do meio. Os jogadores foram para os balneários e houve um aviso no estádio. No momento em que Taison volta, recebe o cartão encarnado pela reação efusiva que teve.

Como conta a CNN, Bruno Ferreira Bonfim (Dentinho), colega de equipa de Taison, avisou o árbitro de que da bancada do Dinamo Kiev, que foi recebido pelo Shakhtar Donetsk, estavam a ser proferidos comentários racistas.

Em reação, o Shakhtar disse em comunicado: “Não há justificação para quem insulta outras pessoas por causa de sua cor de pele, crenças religiosas ou políticas”. “Esse tipo de comportamento é inaceitável em qualquer país civilizado e liga de futebol”, continuou.

Tais acidentes humilhantes causam dor e deceção à grande família de futebol do FC Shakhtar. Condenamos esse tipo de comportamento do público, sempre damos apoio e protegemos nossos jogadores. Estamos pedindo às autoridades e clubes do futebol que parem o racismo no país”, disse o clube.

Luís Castro, o português que treina o Shakhtar, também mostrou a sua desilusão com a situação: “Quero manifestar o meu apoio a todos quantos sofrem de racismo que é e será uma vergonha para a humanidade”.

Taison tem contrato com o Shakhtar até junho de 2021. Depois do sucedido, o Dynamo Kyiv já confirmou estar disponível para ajudar na investigação ao sucedido. “[Estamos] prontos para ajudar [na investigação] de maneira abrangente e, se provado culpado, tomaremos todas as medidas possíveis para isolar ainda mais esses indivíduos, não apenas do futebol, mas também da sociedade.”