O car sharing, também conhecido por aluguer de curta duração, veio para ficar. Acreditam os fabricantes que os condutores, especialmente os mais jovens, vão preferir alugar um veículo sempre que necessitam, seja por 5 minutos ou 10 horas, em vez de adquirir um automóvel. Pelo que todos os construtores trataram de criar as suas empresas especialistas em mobilidade, para serem elas a comprarem os automóveis que necessitam de continuar a produzir.

A Emov é pertença da PSA – recentemente o grupo francês tornou-se no seu único proprietário –, que a integrou no agregador de serviços Free2Move, igualmente dos franceses, mas envolvendo um leque mais abrangente de propostas, desde os veículos TVDE às trotinetes eléctricas, passando por transportes públicos e carros de aluguer. Segundo o responsável pela empresa na Península Ibérica, Ignácio Roman, o mundo da mobilidade está a mudar e, em 2030, um em cada três quilómetros percorridos vai ser em veículos partilhados, com o número de utilizadores destas plataformas a ser multiplicado por 10 na próxima década.

Lucro em Madrid. Lisboa nem por isso

Actualmente, a Emov by Free2Move Car Sharing opera em Madrid, Lisboa, Paris, Washington e Wuhan, mas a única cidade em que já tem resultados positivos é a capital espanhola, onde a experiência é superior. É também ali que existe a maior frota, cerca de 600 Citroën C-Zero eléctricos e 10 furgões Berlingo. Em Portugal, onde a marca só fornece serviços há cerca de um ano e meio, a rentabilidade ainda não está no horizonte, com a frota de 150 automóveis C-Zero a ter proporcionado até aqui 100.000 viagens e 650.000 km percorridos, com 18.000 utilizadores activos.

Se até aqui a Emov apenas operava em Lisboa, está em vias de ampliar a sua área de influência à Amadora, mais especificamente na freguesia de Alfragide, com Roman a prever alargar cada vez mais a área em que possível apanhar e abandonar os veículos, uma vez terminado o aluguer de curta duração. Como as viagens tenderão a ser cada vez maiores e a autonomia dos C-Zero é diminuta, atingindo segundo a Free2Move um máximo de 100 km, a empresa trocou 30 unidades do Citroën eléctrico por outras tantas do DS3 Crossback com motor de combustão, o novo pequeno SUV da DS.

Três continentes e cada vez mais serviços

Disponível de momento em cinco cidades e em três continentes, a Free2Move está apostada em continuar a crescer, tendo previsto lançar uma 6ª cidade em breve. O crescimento mais óbvio vai ocorrer ao nível dos serviços, especialmente através Free2Move Lease, um aluguer de longa duração com tudo incluído, o Free2Move Rent, o aluguer mais tradicional que já está disponível com 2.000 veículos, e o Free2Move Services, que ajuda a encontrar um espaço onde recarregar e também onde estacionar, permitindo realizar reservas em parques. Sendo aqui de realçar que a Emov tem a sua própria rede de carregadores, para não incrementar a pressão nos poucos públicos (em bom estado de funcionamento) que estão disponíveis.

A Emov cobra 0,26€/minuto para o C-Zero e 0,31€/minuto para o novo DS3 Crossback, sendo que a inclusão de unidades a combustível fóssil retira parte das vantagens deste tipo de transporte, que se pretende menos poluente. Ainda assim, a empresa faz questão de anunciar que regressará aos automóveis eléctricos assim que as marcas da PSA começarem a propor os Peugeot e-208, Opel Corsa-e e DS 3 Crossback E-Tense, todos eles com bateria de 50 kWh e autonomia superior a 300 km.