A tensão vivida em Hong Kong continua nas ruas. Depois de, esta segunda-feira, um jovem ter sido baleado pelas autoridades e um outro homem de 57 anos ter sido incendiado durante uma discussão com manifestantes, os confrontos voltaram a ter palco na cidade esta terça-feira. Incêndios, detenções, transportes interrompidos e aulas suspensas são o resultado de uma greve geral convocada após a morte de um estudante de 22 anos.

O jovem caiu de um parque de estacionamento e sofreu ferimentos cerebrais graves em circunstâncias desconhecidas. Tudo o que se sabe é que o caso aconteceu durante uma operação policial na sequência de um protesto, a 3 de novembro. Os manifestantes culpam a polícia, que já negou categoricamente qualquer responsabilidade na morte do estudante. A greve de segunda-feira deixou 128 feridos e mais de 260 detidos. 

A polícia indicou que “devido aos extensos atos ilegais dos manifestantes, foi obrigada a responder “com operações de dispersão e detenções”, mas desmentiu que tenham sido dadas instruções para que fossem utilizadas armas de fogo “de forma imprudente”.

Há 24 semanas seguidas que Hong Kong é palco de protestos contra a ingerência da China no sistema legal de Hong Kong, exigindo reformas democráticas. Mesmo após a chefe do governo ter cancelado o projeto de lei de extradição, os manifestantes continuaram os protestos, argumentando que é necessário também libertar os manifestantes detidos, não identificar as ações dos protestos como motins, obrigar a um inquérito independente à violência policial, a demissão da chefe do Governo e o sufrágio universal nas eleições para o lugar de Carrie Lam e para o Conselho Legislativo.

Também a União Europeia instou todas as partes envolvidas nos confrontos em Hong Kong a “mostrarem contenção” e apelou a uma “solução credível e rápida” para a crise. “É crucial que todas as partes tenham contenção”, disse a porta-voz da União Europeia Maja Kocijancic, citada pela France Presse.  A responsável considerou ainda ser “imperativo” encontrar uma “solução credível e rápida” para a crise.

(Veja acima a fotogaleria com as imagens que marcam os dois dias de greve em Hong Kong)