Vários médicos foram obrigados a fazer horas extraordinárias nos centros de saúde da Amora e no Rainha D. Leonor por causa do fecho das urgências pediátricas noturnas do Hospital Garcia de Orta, denunciou o Sindicato dos Médicos da zona sul. “A incapacidade da situação levou a que a alternativa passe por impor o prolongamento do funcionamento dos centros de saúde do agrupamento Almada-Seixal, à custa de trabalho extraordinário, durante a semana e aos fins de semana, por parte dos médicos de família”, pode ler-se no anúncio.

Segundo a denúncia, os médicos souberam a 15 de novembro, uma sexta-feira, que na segunda-feira seguinte teriam de começar a reforçar os centros de saúde do agrupamento de Almada-Seixal em regime de trabalho extraordinário e de acordo com um horário determinado pelas chefias. É assim desde 18 de novembro — o dia em que estava agendado o encerramento das urgências pediátricas noturnas do Garcia da Orta. E, segundo o governo, será “temporário”.

Mas, para os médicos, a medida traz dois problemas. “O limite de trabalho extraordinário não é respeitado”, explica o sindicato. E, ainda por cima, isso “aumenta o descontentamento dos utentes por dificuldade de acesso às consultas com o seu médico de família, por prejuízo da organização do tempo de trabalho normal”: “Ou seja, a solução arranjada não só mantém o encerramento das urgências pediátricas do Garcia da Orta como diminui o acesso da população aos cuidados de saúde primários”, queixa-se o sindicato.

Em declarações à Rádio Observador, João Proença, da Federação Nacional dos Médicos, fala de uma medida feita à pressão: “O Ministério está de cabeça perdida. Não conseguiu resolver os problemas do Garcia da Orta, que se arrastavam há um ano ou dois. E agora querem, de um dia para o outro, obrigar as pessoas a fazerem fins de semana por intimação”, comenta.

João Proença concorda que esta medida pode condenar a qualidade dos serviços médico e apela ao diálogo: “Não podem tratar os médicos como pessoas que não têm direitos, que não são gente. Portanto, ou percebem isso, ou isto vai correr-lhes muito mal”, avisa na Rádio Observador. E conclui: “Ninguém consegue obrigar ninguém a trabalhar sem motivação”.