Foram sete os votos de pesar por mortes recentes votados esta manhã na Assembleia da República e um único não foi aprovado por unanimidade: o voto de pesar, apresentado pelo Chega, pelo falecimento de militar da Guarda Nacional Republicana num acidente rodoviário na A42. Havia três votos de pesar sobre o militar morto num acidente, os outros eras do PS e o CDS e já foram aprovados por unanimidade. A mesma votação que teve o pesar pela morte do músico José Mário Branco. Os deputados foram unânimes no voto e nas palmas em pé.

Não houve hesitações em nenhuma das bancadas parlamentares na homenagem ao músico que morreu esta semana, com familiares a assistirem ao momento nas galerias os deputados aplaudiram mesmo de pé depois de todos os deputados votarem a favor do texto apresentado pelo presidente da Assembleia da República. Ferro Rodrigues destacou “o artista, cantor e compositor, que foi também um lutador político antifascista e combatente contra as opressões e as desigualdades”.

No texto, o presidente também referiu o seu ativismo político que “passou pela UDP, da qual foi fundador, sendo eleito membro do seu Conselho Nacional em 1980. Apoiou a criação do Bloco de Esquerda, em 1999, do qual foi dirigente, integrando a Mesa Nacional”. Deixa, escreveu Ferro “um exemplo de inconformismo, rebeldia e coerência, que ajudaram também a construir a nossa democracia”.

A unânimidade reina neste início de legislatura — e quando em cima da mesa estão quase apenas votos e ainda não existem projetos de lei discutidos para votar (havia apenas um projeto de resolução do PAN sobre amianto) –, mas o arranque das votações foi logo feito com um bloqueio ao Chega.

O partido em que André Ventura é o único representante na Assembleia da República apresentou um voto de pesar, tal como o PS, sobre o agente da GNR, Jorge Gomes, morto num acidente na A42, mas o seu acabou chumbado pela esquerda parlamentar. Apenas PS, CDS, Iniciativa Liberal e Chega votaram a favor de um texto que, além do pesar e da homenagem à vítima, André Ventura atacava o país “em que tão pouco se respeitam as forças de autoridade, e em que diária e gratuitamente o Estado não valoriza devidamente todos quantos dedicam a sua vida à nossa, em serviço da pátria”.

A esquerda não gostou da consideração e acabou por opor-se ao voto de pesar do Chega, chumbando-o. O Livre e o PAN abstiveram-se. Já no voto de pesar da bancada socialista, cingia-se à morte “num trágico e lamentável acidente, pois ocorreu de forma inesperada no momento em que cumpria a sua missão de militar da GNR destacado para o local para prestar assistência a outro acidente”. Foi aprovado por unanimidade. O mesmo aconteceu com o voto de pesar do CDS sobre o militar Jorge Gomes.

Entre os votos de pesar por falecimentos encontrava-se ainda um texto do Chega a lamentar a morte de Argentina Santos, aprovado por unânimidade, bem como o voto da mesma natureza apresentado pelo presidente da Assembleia da República pelas vítimas da estrada, por ocasião do Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada.