Já sem Diego Costa e com a dupla Vitolo e Correa no apoio à referência ofensiva Morata, Diego Simeone não teve dúvidas em lançar João Félix a 15 minutos do final do jogo com o Granada, que se encontrava empatado a um golo. O resultado não iria alterar-se mas o canal espanhol Movistar+, habituado a apanhar alguns pormenores que às vezes passam ao lado, registou um episódio em que o treinador argentino começou aos berros com o avançado português, que regressava após pouco mais de um mês de paragem por lesão, para ocupar zonas laterais quando a equipa não tivesse bola e não o corredor central como estava a ter tendência de fazer. Mais ou menos ofensivo, com maior ou menos talento, no At. Madrid não há equipas de 10 + 1 mas sim de 10 (mais guarda-redes) para 1.

Desde que chegou a Madrid que João Félix foi protegido numa espécie de redoma enquanto dá os primeiros passos na Liga espanhola. Por estratégia, acrescente-se. Nunca ninguém duvidou do potencial futebolístico do ex-jogador do Benfica mas sabiam que o sucesso a médio prazo passava também por um baixar de expetativas no curto prazo. Depois, como em tudo, o mundo rodou. E mudou. O tempo de paragem de Diego Costa e os maus resultados que colocaram inclusive a própria ideia do “Cholismo” em causa aceleraram o processo e o ‘7’ foi “convidado” a dar o passo em frente com o Lokomotiv, no Wanda Metropolitano. E foi o melhor em campo.

“Tem muito entusiasmo, muito otimismo e é jovem. Quando és jovem, não tens medo de nada. O João está a passar por essa fase”, comentou Simeone, sem muitas mais considerações individuais sobre o encontro com a formação russa que valeu a passagem aos oitavos da Champions. “Mais do que as opiniões e as críticas na sequência dos resultados, procuramos os caminhos que nos levem aos êxitos. É claro que jogar os 90 minutos com uma maior consistência aproxima-nos da possibilidade de ganhar. João Félix? Também quero ver o João Félix todos os dias e da melhor maneira possível”, disse antes do jogo com o Osasuna deste sábado.

Ainda na zona mista após o encontro com o Lokomotiv, Saúl Ñíguez, um dos indiscutíveis da base da equipa, fez até cara feia quando foi questionado pela exibição do português. Ele, tal como Simeone ou os mais velhos, continuam a colocar o coletivo acima de qualquer individualidade, mesmo que ninguém tenha dúvidas sobre a qualidade de João Félix, como explicava a Marca. “Está a crescer e tem muito para dar mas necessita de melhorar a combinação com os companheiros. Quando temos mais calma, assistimos um companheiro em melhor posição e somos menos egoístas, estamos melhor”, disse na conferência após o jogo de quarta-feira, citado pelo ABC. A marcar, a assistir ou a jogar, cada encontro é um desafio à capacidade de adaptação do avançado a uma ideia de jogo.

Até pelo cumprimento que recebeu de Simeone quando saiu a nove minutos do final, este foi mais um desafio superado pelo jogador português, que voltou a ser um dos melhores na vitória do Atl. Madrid frente ao Osasuna (2-0) num encontro onde os colchoneros estavam obrigados a ganhar para não perderem mais terreno para o primeiro lugar. Aliás, não fosse Herrera e o número 7 podia ter inaugurado o marcador em três ocasiões ainda antes do intervalo, na sequência de um contra-ataque com assistência de Morata (23′), num cabeceamento à trave que teve ainda um toque do guardião contrário (39′) e numa insistência após tiro de fora de Thomas (44′), tendo havido ainda uma finta digna de “bloopers” de fim de ano logo a abrir o encontro que ficou na retina. Morata, num livre lateral após várias oportunidades falhadas, acabou por fazer o 1-0 aos 67′, com Saúl Ñíguez a fechar as contas a um quarto de hora do final coroando mais uma das boas exibições dos visitados.