“João, vamos, vamos! Assim, assim… Forte, forte!”. Depois de uma remontada inesperada frente ao Barcelona com dois golos nos últimos dez minutos que deram a qualificação ao Atl. Madrid para a final da Supertaça frente ao rival Real Madrid, Diego Simeone não cabia em si de alegria, algo que ficou bem expresso na forma como cumprimentou todos os jogadores na chegada ao balneário, incluindo João Félix. Apesar da campanha irregular na Liga, os colcheneros tinham em Jeddah a oportunidade de conquistarem o primeiro troféu da época mas nem por isso o português conseguiu convencer a crítica espanhola que acabou o encontro “saudosista” com Griezmann.

“Perdido, sem conseguir fazer parte das situações de ataque do Atlético (…) Ainda segue a ‘anos luz’ do anterior ‘7’ do Atlético, que por estas alturas já tinha passado por San Mamés e havia explodido. Carácter tem, só falta que lhe saiam as coisas”, escreveu o As. “Chegou-lhe uma ocasião para criar perigo, mas teve pela frente um pé para travar o remate. Deixou um bom detalhe no que toca ao controlo. Aí sim, demonstrou que não se acanha perante ninguém”, comentou a Marca. O valor da transferência continua a colocar João Félix como inevitável destaque do Atl. Madrid, apesar de nem todos gostarem na forma como se foca o individual em detrimento do coletivo.

“Já cansa que perguntem sempre sobre um jogador e não sobre a equipa. O que lhe digo? Tudo o que digo a um companheiro é para ajudar, é para o bem da equipa, mas há que saber a maneira de chegar a cada jogador. A língua pode gerar mal-entendidos, por isso fala-se primeiro com Felipe ou Herrera para que eles lhe possam transmitir de uma maneira mais adequada e não se sinta atacado. É preciso paciência, não é fácil. Há jogadores que demoram seis meses ou um ano, para mais quando se tem 19 anos e o peso de uma equipa inteira e do valor que o clube pagou por ele, mas tem qualidades tremendas e vai chegar onde quer. Se a equipa não estiver bem, será mais difícil destacar-se”, comentou Saúl Ñíguez após o triunfo frente ao Barcelona.

Mais do que a adaptação a um novo país, a uma nova realidade ou a um novo campeonato, João Félix tem vindo a fazer um caminho de adaptação sobretudo a uma nova equipa e modelo de jogo. É por isso que tão depressa surge em boa posição para visar a baliza contrária, como aconteceu aos 14′ aproveitando um erro de Sergio Ramos na sua área, como vai à sua própria área ajudar em missões defensivas como aconteceu aos 35′ num lance em que impediu de perna esticada o cruzamento de Carvajal e desviou para canto. Este domingo, até porque Zidane manteve a mesma fórmula de cinco médios que tinha derrotado de forma convincente o Valencia na meia-final, o internacional português teve uma missão bem mais relevante sem bola do que com ela e também por isso voltou a ter uma atuação discreta, sem grandes apontamentos individuais.

A primeira parte assemelhou-se bem mais ao nulo registado no Campeonato do que ao encontro frenético durante a pré-temporada nos Estados Unidos em que o Atl. Madrid goleou o Real: poucas oportunidades, intensidade só q.b. dos dois lados e a sensação de que os dois conjuntos tinham mais preocupações em não descurar a defesa de forma organizada ou em transições do que propriamente vontade de arriscar para inaugurar o marcador. A abrir, Luka Jovic, avançado que passou pelo Benfica antes de brilhar pelo Eintracht Frankfurt e chegar ao Santiago Bernabéu, rematou de pé esquerdo a rasar o poste de Oblak e deu o mote para o resto do encontro (51′), antes da grande oportunidade perdida pelo Real Madrid com Valverde a cabecear ao lado na pequena área.

Morata, Mariano e Rodrygo ainda tentaram desfazer o nulo mas o jogo foi mesmo para prolongamento, que teve início com uma oportunidade de ouro para Vitolo marcar negada por Courtois, a “responder” a Oblak naquele que foi um diálogo entre dois dos melhores guarda-redes da atualidade. João Félix, esse, ficou em definitivo sem a tal gasolina no tanque que Simeone pede ao português para os últimos minutos dos jogos e acabou mesmo por ser substituído por Arias, numa altura em que o técnico dos colchoneros já estava mais preocupado com a capacidade de defender bem do que propriamente em arriscar algo mais do que um empate. Morata e Casemiro tiveram as derradeiras chances mas, mais uma vez, os guarda-redes voltaram a estar em destaque.

A cinco minutos do final, Morata seguia isolado para a baliza e Valverde foi obrigado a fazer falta sobre o avançado espanhol, vendo vermelho direto e abrindo as hostilidades para uma confusão que terminou com cartões amarelos para Correa, Savic e Carvajal. O Atl. Madrid ficava em vantagem numérica mas o nulo não se iria alterar apesar de mais uma grande intervenção de Courtois a desvio desajeitado de Mendy e, nos penáltis, o Real foi mais forte, beneficiando dos falhanços de Saúl Ñíguez e Thomas para ganhar por 4-1 e confirmar a “regra Zidane”: em nove finais disputadas entre Liga dos Campeões, Supertaça Europeia, Mundial e Supertaça, ganhou sempre.