O presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, Nuno Gonçalves, disse esta sexta-feira ter tido a garantia da empresa concessionária de que a exploração de minério de ferro no concelho será retomada no dia 1 de março.

As informações prestadas ao município pela [concessionária] MIT [Ferro de Moncorvo, S.A] indicam que o recomeço da exploração mineira no concelho de Torre de Moncorvo está marcado para o dia 1 de março”, disse à Lusa Nuno Gonçalves.

O autarca social-democrata adiantou também que está prevista para o próximo mês de fevereiro uma sessão de esclarecimento pública, dirigida à população do concelho e outros interessados, com a finalidade de “apresentar o projeto mineiro”.

Por outro lado, Nuno Gonçalves indicou que o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) “foi aprovado, sem condicionantes”. “Finalmente o RECAPE está aprovado na sua totalidade e sem condicionantes, o que permitirá o reinício da exploração mineira no concelho de Torre de Moncorvo”, no distrito de Bragança, concretizou o autarca trasmontano.

O autarca disse que a MTI – Ferro de Moncorvo concorreu, recentemente, a um concurso que tem em vista o ordenamento da orla costeira para o fornecimento de blocos “quebra-mar”, dada a densidade “única” da matéria-prima existente nas minas de ferro de Moncorvo para a construção destes elementos.”Estamos a aguardar a decisão final deste concurso, que é importante para o projeto mineiro de Torre de Moncorvo”, vincou Nuno Gonçalves.

O autarca admitiu que houve adiamentos no processo de exploração mineira “devido ao escrutínio feito pelas entidades envolvidas”. “(…) Nós queremos que sejam rápidos, mas eles são lentos por natureza devido ao escrutínio feito pelas entidades envolvidas”, disse.

No início de novembro, a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) autorizou o “controlo da mina” de ferro de Torre de Moncorvo pela Aethel Mining, empresa que espera colocar Portugal numa “posição de liderança na mineração europeia”.

A Aethel Partners revelou que a Aethel Mining Limited, uma “empresa britânica detida exclusivamente” pelo português Ricardo Santos Silva e a americana Aba Schubert, “recebeu aprovação da DGEG para assumir o controlo da mina de Moncorvo”, um “depósito de minério de ferro muito significativo no coração da Europa”.

A Aethel Mining está “muito entusiasmada com o reinício da operação mineira neste ativo histórico, que levará Portugal de volta a uma posição de liderança na mineração europeia”, refere o cofundador da empresa, Ricardo Santos Silva, citado num comunicado, emitido em novembro de 2019.

A empresa dizia que os seus acionistas “têm uma longa história de sucesso em investimento em ativos de mineração em todo o mundo” e “uma equipa de engenharia especializada em Portugal preparada para iniciar operações”.

Isto, acrescenta, “impulsionará a economia local trazendo mais emprego e atividade comercial”.

As minas de Moncorvo, cuja concessão, de 2016, foi entregue à MTI, Ferro de Moncorvo, SA, “são atraentes para a Aethel Mining não só pela suas perspetivas económicas, mas também pelo seu perfil de sustentabilidade — sendo um depósito de minério de ferro muito significativo no coração da Europa — e pelo seu potencial para revitalizar um ativo histórico da economia local”, descreve a empresa.

A Aethel destacava ainda que o seu projeto para Moncorvo se “diferencia” do de todos os seus pares pelo “pleno uso da sua visão de sustentabilidade e sensibilidade ambiental”.

Em novembro 2016, quando que foi assinado com a MTI o contrato definitivo relativo a esta concessão, o então ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, realçou “o empenho colocado pelo Governo para agilizar este projeto”, noticiou a Lusa.

A MTI dizia esperar investir 114 milhões de euros até 2026 e produzir cerca de seis milhões de toneladas de minério nos primeiros cinco anos de laboração.

Segundo a MTI, numa primeira etapa considera-se a criação de mais de 200 postos de trabalho diretos, a que acrescerão mais de 250 nas etapas seguintes. Estima-se ainda a criação de 800 postos de trabalho indiretos.

As minas de ferro de Torre de Moncorvo foram a maior empregadora da região na década de 1950, chegando a recrutar 1.500 mineiros.

A exploração de minério foi suspensa em 1983, com a falência da Ferrominas.