Pela direita, pela esquerda, a bombear bolas, a arriscar nas bolas paradas. Os minutos passavam e o FC Porto começava a ficar sem recursos para apresentar perante a boa organização defensiva do Portimonense. O empate sem golos, que iria quebrar a série dos azuis e brancos como a única formação a marcar em todos os encontros do Campeonato, começava a parecer uma inevitabilidade até que Alex Telles encheu-se de fé. Literalmente. E aquele pontapé que muitos não arriscariam num contexto tão complicado acabou por valer três pontos.

A presença dos suplentes nas primeiras imagens de festa em grupo à volta de Alex Telles espelha bem o significado do golo do brasileiro a três minutos do final (o que valeu mesmo um cartão amarelo a Wilson Manafá, que por sua vez ainda levou um raspanete de Sérgio Conceição), que conseguiu ainda um outro dado a título individual que seria complicado de prever no início da temporada: à 22.ª jornada, o lateral brasileiro é o melhor marcador do FC Porto no Campeonato com oito golos, além de cinco assistências e participação em 28% das finalizações.

Em paralelo, o FC Porto não só manteve o registo 100% vitorioso nas receções ao Portimonense em 20 jogos como teve um prémio tardio para aquele que foi o encontro com mais remates na Primeira Liga. Por isso, no final, foi Alex Telles a tomar a palavra como confidenciaria mais tarde na zona de entrevistas rápidas, onde chegou ainda a arrumar o terço que teve na mão após o encontro e a tossir de quando em vez, como já tinha acontecido quando Sérgio Conceição e Nelson Puga lhe foram dar os parabéns após o último apito de Hugo Miguel.

“Como disse na roda, o golo não foi só meu. Estava toda a gente, o estádio todo a acreditar até ao fim. Sabíamos que este jogo ia ser difícil, porque aqui no Dragão as equipas vêm sempre com tudo e fecham-se muito. Agora estamos em primeiro lugar e dedico este prémio ao Marega. Esta semana foi complicada, por isso esta vitória é para o Marega. No intervalo o mister falou comigo e pediu-me para me chegar mais à frente e fui feliz”, referiu o brasileiro numa flash interview onde recebeu o prémio de Melhor do Jogo da SportTV depois de ter feito um sinal de desculpas a uma adepta que lhe pedia a camisola (que entretanto trocara) com um cartaz na bancada.

“Ansiedade? Confesso que sim. Há aquele cansaço porque não é fácil jogar três a quatro dias mas quem joga num clube gigante como o FC Porto tem de estar habituado a isso. Mas digo, nós não somos melhores nem piores do que há umas semanas. Vamos fazer de tudo para terminar na frente do Campeonato”, salientou o internacional sul-americano que marcou pela terceira vez de bola corrida fora da área, acrescentando: “Estamos aqui para fazer o clube ganhar todas as competições. Hoje dormimos no primeiro lugar e não o queremos largar nunca”.

“Foi um jogo difícil, como nós esperávamos e esperamos sempre adversários difíceis. Hoje jogaram de forma um bocadinho diferente, jogaram com uma equipa bastante alta também. Defensivamente tiveram sempre muito atentos e consistentes, apesar de nós, na primeira parte, termos três ou quatro ocasiões para fazer golos e quando se faz golo, nestas situações, as coisas ficam diferentes. Tentei mudar alguma coisa, a partir do banco, e penso que de certa forma resultou. Criámos algumas situações para podermos definir melhor e concluir melhor, o golo apareceu, ganhámos e o mérito é dos jogadores, só deles. É de louvar o esforço deste grupo de trabalho”, resumiu Sérgio Conceição no final do encontro. “Não é uma questão de ansiedade, a equipa quer muito ganhar e quer muito estar em primeiro no final do campeonato, agora é sempre melhor estar à frente. Não dependemos de nós, fizemos o nosso trabalho e o nosso jogo”, completou o técnico azul e branco.