Os emissões de dióxido de carbono na China diminuíram em 25% desde que a circulação do novo coronavírus arrefeceu a indústria no país, concluíram os analistas britânicos da Carbon Brief. Há quatro razões para isso: em fevereiro, o tráfego aéreo reduziu em 70% (em comparação com o registado em janeiro), as fábricas utilizaram a mais baixa quantidade de carvão desde 2016, as taxas de operações das refinarias em Shandong foram as mais baixas desde 2015 e a produção de material em aço está também no nível mais baixo desde há cinco anos.

A diminuição da poluição atmosférica na China testemunha assim o adormecimento em que a indústria do país entrou por causa do novo coronavírus, que obrigou ao encerramento de empresas e a uma contenção no volume de produção. Segundo a Carbon Brief, em algumas das empresas registou-se uma paralisação de até 40% do volume de trabalho.

Este comportamento está retratado nos dados da WIND Information, uma organização especializada em estatísticas ambientais, que pode encontrar aqui em baixo e que demonstra o consumo total de carvão das seis maiores empresas de energia da China. Por norma, esse consumo tende a diminuir gradualmente nos 30 dias anteriores ao dia de Ano Novo chinês, altura a partir da qual volta a aumentar. Isso não aconteceu este ano: o consumo continuou a diminuir e estabilizou a partir de certa altura, mas sem sinais de recuperação.

Se em 2019 foram emitidos 400 milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera nas duas primeiras semanas de fevereiro, agora as emissões foram 100 milhões de toneladas inferiores ao registado nesse período do ano passado — um sinal positivo em termos ambientais, já que isso representação uma emissão 6% inferior à média verificada nessas duas semanas, mas que também comprova o abrandamento da economia chinesa e, portanto, uma maior dificuldade na recuperação económica mundial.

Ciente do que estes números simbolizam para as finanças do país, a China prepara-se para implementar novas medidas para acelerar a economia. Os bancos vão autorizar mais empréstimos, o arrendamento tornar-se-á mais barato e as mediadoras vão receber indicações para comprarem ações e impediram os preços de descerem. As autoridades contam que a economia saia revitalizada, depois destas medidas. Mas em termos ambientais, isso terá consequências contrárias às que estamos a assistir neste momento.