Liverpool, AC Milan, Málaga. Com o passar dos anos, as histórias que começam com a frase “_____________ (nome do clube) esteve próximo de contratar Ronaldo quando ainda estava no Sporting” iam surgindo de quando em vez. Uma, duas, três, muitas. Até a própria Juventus, por quem o português acabaria por assinar mais de 15 anos depois, que se tivesse contado com uma maior abertura no plano desportivo e financeiro do avançado Marcelo Salas asseguraria mesmo o capitão da Seleção Nacional. Nos últimos dias, o Lyon escreveu o seu nome no espaço em vazio aberto para aqueles capítulos de bastidores que só largos anos depois se tornam públicos.

“Estive perto de ser o primeiro presidente de Cristiano Ronaldo. Conhecemo-lo durante um torneio juvenil em Portugal. Tinha 15 ou 16 anos e já era muito forte. Tentámos comprar o seu passe ao Sporting mas não conseguimos. Ainda assim, tenho a satisfação de ter visto o começo de uma grande história. Ronaldo é uma loucura e não me surpreende que com 35 anos ainda tenha uma média de golos incríveis”, assumiu Jean Michel Aulas, decano presidente do conjunto francês, em entrevista ao transalpino Tuttosport.

Gosto muito do Messi. Ele e Ronaldo são dois fenómenos mas, para mim, o número 1 é Ronaldo. É mais forte e efetivo. Se fosse eu a decidir a última Bola de Ouro, teria vencido Ronaldo”, salientou.

Para não variar, o português voltou a ser o centro de todas as atenções na antecâmara da deslocação da Juventus a Lyon. Rudi Garcia, técnico dos franceses, assumiu que seria um erro ter uma marcação especial ao avançado (até porque outros ficariam com mais espaço para brilharem) e apostou também nos conhecimentos de Anthony Lopes na baliza como antigo companheiro de Seleção. Maurizio Sarri, treinador dos italianos, elogiou uma referência da equipa que é “uma força da Natureza, com 15 ou 16 golos nos últimos 11 jogos” e que “até nos treinos mostra que está em grande forma”. Depois, havia a questão dos números naquela cidade francesa em específico.

Ronaldo, o melhor marcador em fases a eliminar da Liga dos Campeões, aposta forte na sexta conquista da prova (até por forma a aproximar a sexta Bola de Ouro) mas nem o bom momento que atravessa ajudou a Juventus a impedir uma derrota na primeira mão em França por 1-0, numa equipa com um meio-campo de “gatinhos” que foi engolido na maioria do tempo pelo Lyon e que condicionou a chegada de bola com qualidade às unidades mais ofensivas como o português ou Dybala (que pareceu ter sido carregado em falta na área nos minutos finais pelo estreante na prova Bruno Guimarães). Na última meia hora, os transalpinos ainda forçaram e muito o empate mas não conseguiram obrigar Anthony Lopes sequer a uma defesa. De bola corrida e de bola parada, com os livres de Ronaldo a continuarem a ficar na barreira (e o de Pjanic a não ter melhor destino).

No entanto, tudo aquilo que se poderia esperar acabou por não acontecer. Aliás, basta recuar até 2011 ao triunfo do Real Madrid em Lyon por 2-0 com bis de Ronaldo para se perceber a grande diferença: a dinâmica coletiva. Depois de alguns bons encontros recentes da Vecchia Signora, os franceses entraram bem melhor e tiveram uma primeira parte em que perderam apenas na posse; de resto, foram superiores nos remates, nos remates que foram enquadrados com a baliza e nos golos, que é aquilo que mais interessa. E sempre com Houssem Aouar como destaque, primeiro a assistir Karl Toko Ekambi para um cabeceamento ao poste (21′) e depois a fazer o passe decisivo após grande jogada individual para o golo de Lucas Tousart, a desviar de primeira na área (31′).

No segundo tempo, houve mais Juventus, Ronaldo ainda teve dois cabeceamentos que podiam ter levado perigo (no primeiro ficou a queixar-se de um empurrão nas costas) mas o resultado não mais voltaria a mexer, o que não impediu ainda assim que houvesse uma invasão de campo de um adepto com a intenção de poder tirar uma selfie com o português. Apesar da derrota, também é por estes gestos que os bianconeri podem sonhar com a viragem da eliminatória na segunda mão, sendo que, para isso, terão de melhorar em muitos aspetos.