Arranca já na próxima quinta-feira, dia 5 de março, a 54ª edição da ModaLisboa. Num cenário marcado pela ameaça de contágio do novo coronavírus, com casos de infeção confirmados em solo nacional, o principal evento de moda da capital volta às Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército pela segunda edição consecutiva e para três dias de desfiles.

O calendário começa com o habitual desfile de Sangue Novo, ao fim da tarde de sexta-feira, com os designers Cêlá, Filipe Cerejo, Flávia Brito, Francisco Pereira e Inês Manuel Baptista na corrida para o primeiro lugar do concurso. Seguem-se os desfiles de Carolina Machado e Duarte, incluídos na plataforma Lab. Segue-se Valentim Quaresma, num dia marcado pelo regresso de Carlos Gil ao calendário da ModaLisboa, já que, nas últimas estações, o criador havia optado por apresentar as suas coleções no Portugal Fashion.

Esta é a segunda edição da ModaLisboa a ter lugar nas Antigas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército © Melissa Vieira/Observador

No sábado, esperam-se os desfiles de João Magalhães, da estreante Buzina (marca de Vera Fernandes), Ricardo preto, Luís Carvalho, Kolovrat, Gonçalo Peixoto e Nuno Gama. Tal como tem acontecido nas últimas edições, também o Portugal Fashion tem a possibilidade de acrescentar desfiles ao alinhamento lisboeta. Desta vez será Luís Buchinho, que assinala 30 anos de carreira. O desfile de sábado acontece, precisamente, seis anos após a última passagem do criador pela passerelle lisboeta.

Constança Entrudo e Hibu inauguram o último dia de desfiles. Awaytomars, Ricardo Andrez, Aleksandar Protic e a marca convidada Ninamounah conduzem esta 54ª edição da ModaLisboa ao momento final, que estará a cargo de Dino Alves.

Conversas, música e talentos europeus: o aquecimento da ModaLisboa

As iniciativas abertas ao público continuam a ser uma aposta sólida da organização. Logo na quinta-feira, cumpre-se a tradição das Fast Talks, às 17h. Os novos e urgentes desafios da moda vão estar em discussão com um painel composto apenas por mulheres. Nem só de moda é composto este programa. A organização estreia o Starting Point, um alinhamento musical, de teatro e de dança que vai percorrer diferentes espaços — Oficinas Gerais, Paços do Concelho e Mercado de Santa Clara — durante os quatro dias do evento. Surma, Aurora Pinho Leite e Mistah Isaac são alguns dos artistas esperados.

Durante os próximos dias, a ModaLisboa vai ser o evento anfitrião do United Fashion. Ao todo, 15 designers de moda europeus vão passar pela capital portuguesa e dar provas de talento, não só à porta fechada, como também em apresentações abertas ao público. O primeiro momento é já na quinta-feira à noite, pelas 21h, nos Paços do Concelho. Na sexta-feira, os mesmos nomes juntam-se aos criadores da ModaLisboa para uma pop-up store que ocupará o Mercado de Santa Clara, durante toda a tarde.

Wonder Room: a moda ética e sustentável existe e está aqui

É difícil imaginar a ModaLisboa sem o Wonder Room, seja pelo seu valor enquanto montra de novos projetos e ideias, seja pela oportunidade ver de perto, tocar, experimentar e comprar peças de autor. Nesta edição, serão 25 as marcas presentes nesta loja temporária aberta ao público durante todo o fim de semana. Nomes como Sensify by Laila Sorensen, Paparina, Marie, Benedita Formosinho, Ikigai powered by Rosários 4 e A-Line Clothing fazem parte de uma seleção assente na produção ética, em valores e missões honestos e na promoção de um consumo responsável.

Mas este Wonder Room vai muito além do vestuário. Mistura acessórios — Alice & Co., Antiflop, Lobo Apparel, Marc Mau e Zouri — com marcas de design e decoração, como é o caso da João Bruno Design e da Alguidar.

A Alguidar é uma das marcas presentes no Wonder Room, com artigos de decoração em malha, feitos na Covilhã © Instagram.com/alguidarknit

Durante os três dias de desfiles, também o espaço da Workstation estará aberto ao público. Afonso Sereno, Cristiana Morais e Frederico Om são os fotógrafos convidados a alimentar esta exposição atualizada diariamente. Paralelamente, o programa Check Point vai debater questões como o empreendedorismo, a sustentabilidade e a redefinição dos padrões de consumo, sob o pretexto de antecipar o futuro da moda. A participação requer inscrição prévia.

A sustentabilidade continua no topo da agenda. Nesta edição, a ModaLisboa associa-se à plataforma Terramotto numa campanha de recolha de vestuário e acessórios antigos e indesejados. A ação envolve os artistas Gonçalo Mar, RAF (Rui Alexandre Ferreira) e Rita Ravasco, responsáveis pelas intervenções nos três contentores disponíveis para a coleta. Até quinta-feira, estes depósitos estarão espalhados pela cidade — Largo Vitorino Damásio, Campo Pequeno e Cais do Sodré –, a partir desse dia e até domingo estarão no recinto da ModaLisboa. Os bens recolhidos serão depois submetidos a uma triagem. As peças em bom estado serão vendidas a preços acessíveis a comunidades carenciadas através das lojas Humana, enquanto as restantes serão encaminhadas para centros de reciclagem.

Covid-19. ModaLisboa à porta fechada é uma hipótese

Na sequência dos dois primeiros casos confirmados em Portugal, a ModaLisboa anunciou, na última segunda-feira, um conjunto de medidas de contingência a aplicar antes e durante o evento. Além da monitorização do estado de saúde de equipas e visitantes, sobretudo dos que provêm de fora do país, do rastreio feito a parceiros e colaboradores do evento durante os próximos dias e da instalação de dispensadores de gel desinfetante no recinto, a organização prevê ainda que um posto médico funcione em permanência nas Oficinas Gerais, onde está também a ser preparada uma sala de isolamento.

A organização da ModaLisboa prevê a possibilidade de o evento vir a decorrer à porta fechada, “no caso da situação se agravar”, com garantia da transmissão dos desfiles em livestream.