Há muito que a Renault, de diferentes formas, tem passado a mensagem de que estaria a trabalhar num modelo capaz de tornar a mobilidade eléctrica realmente acessível. O pontapé de saída nesta aposta foi dado na China, com o Renault City K-ZE, um SUV comercializado naquele mercado asiático por valores abaixo dos 10.000€. Mas o Velho Continente está nos planos do grupo francês, até porque a regulamentação europeia para baixar as emissões de dióxido de carbono não deixa outra alternativa aos fabricantes de automóveis. Tendo na Dacia a marca que mais tem crescido no seio do grupo, a Renault escolheu a marca romena para “lançar a revolução eléctrica mais acessível” com o Spring Electric.

Apesar do nome escolhido, este parece ser um SUV a bateria para todas as estações, mas não para percorrer grandes distâncias. Isto porque há um preço a pagar pela autonomia, o que leva o showcar que a Dacia deveria exibir em Genebra a anunciar apenas 200 km, de acordo com o ciclo WLTP. Não são avançados quaisquer dados acerca da capacidade do acumulador, nem tempos e limitações da operação de recarga das baterias. E também não é avançada a potência do motor eléctrico. Mas, a título de referência, vale a pena lembrar que o City K-ZE, o tal comercializado exclusivamente na China, monta uma bateria com 26,8 kWh de capacidade e um motor de apenas 33 kW (45 cv), tendo a velocidade máxima limitada a 105 km/h.

Garantido mesmo é que este protótipo, que em tudo faz lembrar conceptualmente o Renault City Z-ZE, vai chegar no próximo ano com o estatuto de “o veículo 100% eléctrico mais acessível na Europa”. A marca não menciona preços, até porque (na melhor das hipóteses) estamos a um ano do lançamento – da versão de produção, mas não é difícil chegar a um valor indicativo, que permita à marca honrar o compromisso. Basicamente, o raciocínio assenta em duas premissas. A primeira é que o Grupo Volkswagen lança no mercado três citadinos com uma autonomia de 261 km por um valor na ordem dos 20.000€. A segunda é que o Sandero Stepway, uma berlina com ar mais aventureiro mas vocação citadina, é neste momento proposto entre nós por valores na casa dos 12.000€. Atendendo a que o Dacia Spring é ligeiramente mais pequeno que o Sandero ( 3,73 m de comprimento contra 4,09) e anuncia uma autonomia inferior ao Volkswagen e-up !, Skoda Citigoe iV e Seat Mii electric, a sua comercialização deverá vir a fazer-se por valores (necessariamente) abaixo dos 15.000€. De outra forma, esboroa-se o argumento do “acessível”.

Quanto à estética, a nota mais interessante do showcar da Dacia aponta para os grupos ópticos, que prenunciam a evolução da identidade estilística da marca. Ou seja, há que esperar o mesmo tipo de arranjo na frente e na traseira, 100% LED, nos novos lançamentos. Acerca do interior não há nada a referir, pois permanece uma incógnita.

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Segundo a Renault, com o primeiro Dacia exclusivamente a bateria, o grupo visa essencialmente dois tipos de clientes. Por um lado, os particulares interessados numa solução de mobilidade sustentável para percursos urbanos e interurbanos e, por outro, empresas de carsharing.