Mais de 5.000 cirurgias de redução de peso, através de banda gástrica, foram realizadas nos últimos quatro anos em Portugal através de protocolos com hospitais privados e à margem do Serviço Nacional de Saúde (SNS), indicam dados divulgados esta terça-feira.

Os dados foram divulgados na véspera do Dia Mundial da Obesidade pela Associação Portuguesa de Bariátricos (APOBARI), que insiste “na necessidade de aumentar a resposta do Estado português na prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças relacionadas com a obesidade”.

A coordenadora-geral da APOBARI, Alice Inácio, disse à Lusa que “é urgente que o SNS comece a olhar para a obesidade como uma doença crónica efetiva, epidémica e incapacitante”.

É inadmissível que um doente tenha que esperar três anos por uma cirurgia no SNS, muitas vezes com doenças graves associadas, sem que o Estado lhe preste os cuidados devidos e lhe salve a vida”, criticou.

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Alice Inácio salientou que, desde a sua fundação em 2015, a associação tem centrado a sua atividade no apoio e acompanhamento de doentes com comorbilidades (doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2 e cancro, entre outros) no acesso às diversas cirurgias de redução de peso, “sempre que o SNS não responde convenientemente ou em tempo útil”.

Segundo informação divulgada pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), em Portugal os obesos esperam em média 16 meses entre consulta e cirurgia, mas chega a haver tempos de espera superiores a três anos.

O número de obesos em Portugal está estimado em 1,9 milhões de pessoas, com outros 5,9 milhões com excesso de peso. O tratamento cirúrgico da obesidade é a especialidade que regista uma maior percentagem no incumprimento nos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, de acordo com a análise divulgada pela ERS.