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Marega queria os 12 pontos do festival mas a canção saiu desafinada (a crónica do FC Porto-Rio Ave)

Este artigo tem mais de 1 ano

Em noite de Festival da Canção, Marega foi dos melhores do FC Porto, esteve perto de ser herói e nunca se conformou com o empate. Os dragões acabaram por ceder pontos a um Rio Ave muito consistente.

O avançado maliano foi um dos principais inconformados do FC Porto
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O avançado maliano foi um dos principais inconformados do FC Porto

Getty Images

O avançado maliano foi um dos principais inconformados do FC Porto

Getty Images

Depois de resgatar a liderança numa jornada disputada à segunda-feira, por culpa das competições europeias, o FC Porto vivia um momento de renovada tranquilidade desportiva e assistia ao transportar das dúvidas, das questões e das incertezas para o principal rival, o Benfica. Mesmo com exibições sofríveis e com vitórias tiradas a ferros, a verdade é que os dragões souberam aproveitar os consecutivos deslizes dos encarnados, pouco ou nada ofereceram e têm novamente em Sérgio Conceição um treinador que pode levar a equipa ao segundo título nacional em três anos.

A mais do que óbvia instabilidade, essa, vive-se a nível institucional. Com eleições para os órgãos sociais marcadas para o próximo dia 18 de abril, José Fernando Rio, José Martins Soares e Nuno Lobo já anunciaram a intenção de apresentarem as respetivas candidaturas à presidência do FC Porto. Numa linha paralela mas nunca marginal, João Rafael Koehler continua sem confirmar se será ou não candidato mas é a grande voz crítica ativa, tanto no desmascarar da preocupante situação financeira do clube como nas farpas atiradas aos elementos que rodeiam Pinto da Costa, principalmente o filho do atual presidente dos dragões, Alexandre Pinto da Costa.

Ficha de jogo

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FC Porto-Rio Ave, 1-1

24.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: Artur Soares Dias (AF Porto)

FC Porto: Marchesín, Corona, Mbemba, Marcano, Alex Telles, Otávio, Danilo (Fábio Silva, 88′), Sérgio Oliveira, Nakajima (Romário Baró, 62′), Marega, Soares (Aboubakar, 80′)

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Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Pepe, Manafá, Uribe

Treinador: Sérgio Conceição

Rio Ave: Kieszek, Borevkovic, Aderllan Santos, Nélson Monte, Diogo Figueiras (Júnio Rocha, 90+2′), Al Musrati, Tarantini, Pedro Amaral, Nuno Santos, Taremi (Carlos Mané, 88′), Lucas Piazon (Gelson Dala, 88′)

Suplentes não utilizados: Paulo Vítor, Messias, Rúben Gonçalves, Bruno Moreira

Treinador: Carlos Carvalhal

Golos: Mbemba (18′), Taremi (32′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Diogo Figueiras (29′), a Alex Telles (34′), a Borevkovic (59′), a Aderllan (86′), a Pedro Amaral (90′)

Este é o momento atual do FC Porto: numa semana em que se antecipava uma união que tem escasseado, em que se antevia uma alegria quase generalizada motivada pelo regresso à liderança da Liga, o clube continuou a autofustigar-se com disputas de fora para dentro com vista a uma mudança no paradigma que se prolonga há quase 40 anos. Era neste âmbito, um contexto quase esquizofrénico de oportunidade desportiva mas de idiossincrasia institucional, que o FC Porto recebia este sábado o Rio Ave no Dragão.

Ainda sem Zé Luís e Luis Díaz, ambos lesionados, Sérgio Conceição tirava Wilson Manafá do onze inicial, em comparação com a vitória de segunda-feira nos Açores com o Santa Clara, e fazia Corona regressar à direita da defesa. A principal novidade no onze dos dragões era Nakajima, que ocupava no meio-campo o lugar deixado vago pelo mexicano. Contra o Rio Ave de Carlos Carvalhal, que esta temporada já tirou pontos ao Sporting e causou muitas dificuldades ao Benfica, Conceição tinha como principal preocupação os cartões amarelos: Marchesín, Manafá, Alex Telles, Sérgio Oliveira e Otávio estavam todos a um amarelo de ficar de fora da próxima jornada, uma sempre complexa deslocação a Famalicão.

O FC Porto entrou no relvado com a noção de que, acontecesse o que acontecesse, iria permanecer na liderança da Liga — para além de que uma vitória frente ao Rio Ave deixava os dragões com mais três pontos do que o Benfica, que não foi além de um empate no Bonfim com o V. Setúbal. A equipa de Sérgio Conceição entrou forte e balançada para o ataque, com Sérgio Oliveira a obrigar Kieszek a uma enorme defesa logo nos instantes iniciais (5′), ao cabecear depois de um cruzamento a partir da direita. Soares era o elemento destacado no ataque, Otávio tombava na direita e Marega na esquerda, ainda que o maliano adotasse uma postura muito móvel onde tanto aparecia ao lado do avançado brasileiro como se aproximava da linha, onde oferecia linhas de passe às arrancadas de Alex Telles. Nakajima, numa posição mais central, surgia muitas vezes nas costas de Soares.

Era na direita, porém, e na ligação quase telepática de Corona e Otávio, que o FC Porto tinha a principal fonte de lances de perigo. Quanto ao Rio Ave, apresentava-se no Dragão com a intenção clara de colocar bolas nas costas da defesa dos dragões, onde Taremi aparecia como peça destacada do ataque e era apoiado pela velocidade e pela criatividade de Nuno Santos e Lucas Piazon. O FC Porto acabou por conseguir inaugurar o marcador de forma algo natural, depois de quase 20 minutos de um controlo tímido e nunca demolidor que permitia à equipa de Sérgio Conceição estar tranquila na partida. Na sequência de um canto batido na direita, Danilo desviou ao primeiro poste para mais uma boa intervenção de Kieszek, Nakajima recolheu ao segundo poste e cruzou atrasado para Mbemba, que rematou rasteiro e estreou-se a marcar na Primeira Liga (18′).

Os dragões poderiam ter aumentado a vantagem em dois lances nos minutos seguintes, primeiro com um remate de Nakajima (23′) e depois com um cabeceamento ao lado de Danilo (30′) mas a verdade é que acabaram por cair em ritmo e intensidade. As linhas recuaram, a reação à perda da bola tornou-se mais permissiva e a equipa ficou mais volátil, suscetível ao bem organizado conjunto de Carlos Carvalhal. O Rio Ave cresceu no jogo, aproximou-se progressivamente da grande área de Marchesín e foi-se instalando no meio-campo adversário, assumindo com naturalidade um ascendente na partida. O golo do empate, o quase inevitável golo do empate, apareceu pouco depois da meia-hora: Taremi combinou com Diogo Figueiras e recebeu à entrada da área, tocou de forma deliciosa para evitar Marcano e atirou rasteiro para restaurar a igualdade (32′). Ainda que o lance do avançado iraniano tenha sido quase brilhante, ficou notória a passividade da defesa do FC Porto, com Alex Telles a esquecer-se de acompanhar o movimento de Taremi e Marcano a ser muito suave na abordagem à jogada.

Marchesín ainda evitou o segundo golo do Rio Ave, depois de um grande remate de Nuno Santos na sequência de um livre (35′), e Soares cabeceou ao lado depois de um cruzamento na direita (39′). No final da primeira parte, FC Porto e Rio Ave estavam empatados no Dragão e a equipa de Sérgio Conceição precisava de uma dose extra de autoridade para conseguir carimbar os três pontos contra o vilacondenses. Pelo meio, Alex Telles já tinha visto o cartão amarelo que o deixava de fora da próxima jornada.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do FC Porto-Rio Ave:]

Na segunda parte, a alteração de Sérgio Conceição foi tática: Nakajima passou para a ala esquerda e Marega ficou definitivamente ao lado de Soares, com o FC Porto a assumir de forma mais clara o 4x4x2. O passar dos minutos — e a ausência de oportunidades de relevo — acabou por provocar um aumento da ansiedade nas bancadas no Dragão, onde surgiam os primeiros assobios aos dragões. Em cima da hora de jogo, os lances mais perigosos do FC Porto tinham sido um remate ao lado de Marega (55′) e um cabeceamento por cima de Soares (62′) e Sérgio Conceição reagiu com a primeira alteração à equipa.

Saiu um discreto Nakajima e entrou Romário Baró, Danilo ficou mais fixo à frente dos centrais e Marega passou de vez e de forma definitiva para a frente de ataque. O FC Porto estava por cima do jogo e o Rio Ave ia limitando as investidas ofensivas, apostando na transição apenas em situações de velocidade ou de superioridade numérica: os dragões tinham dificuldades em ultrapassar a muralha defensiva dos vilacondenses, que colocavam uma linha de cinco à frente da grande área que servia de tampão às tentativas adversárias. Marega, num dos melhores jogos do passado recente, era o principal inconformado e tentava insistentemente romper a organização do Rio Ave com velocidade ou rematar de longe para surpreender Kieszek.

O avançado maliano ainda esteve perto de ser o herói da partida, depois de aproveitar uma defesa para a frente do guarda-redes do Rio Ave para marcar, mas o lance foi anulado pelo VAR por fora de jogo de Soares no início do lance (78′). Sérgio Conceição fez all in e lançou Aboubakar e Fábio Silva, o jogo partiu ligeiramente e os vilacondenses ainda estiveram perto de marcar em transição rápida, o FC Porto procurou a vitória durante os longos dez (!) minutos de descontos (motivados pela paragem para avaliar o lance do golo de Marega) mas a partida acabou mesmo por terminar empatada.

O FC Porto manteve a vantagem de um ponto em relação ao Benfica na liderança da Liga mas desperdiçou uma boa oportunidade para aumentar a distância para os encarnados — com muito mérito do Rio Ave de Carlos Carvalhal, que voltou a não descaracterizar a ideia de jogo da equipa ao jogar contra um “grande” e reiterou a sensação de que é um dos melhores conjuntos portugueses na atualidade. Corona fez uma boa exibição, Otávio voltou a ser dos melhores e Mbemba estreou-se a marcar no Campeonato mas foi Marega, num dos jogos mais bem sucedidos dos últimos tempos, quem mais se esforçou para chegar à vitória. O FC Porto não jogou o suficiente, voltou a ser sofrível e não correspondeu à exigência imposta: em noite de Festival da Canção, Marega bem quis o 12 pontos mas a música dos dragões saiu desafinada.

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