Uma base militar iraquiana com tropas norte-americanas localizada perto de Bagdad foi esta quarta-feira atingida por mais de 15 mísseis terra-terra, elevando para 22 o número de ataques perpetrados contra interesses norte-americanos no Iraque desde outubro, divulgaram fontes militares locais.

Apesar de inicialmente as autoridades iraquianas terem garantido que o ataque não tinha feito quaisquer vítimas fatais, o ministro da Defesa britânico e o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, já tornaram públicas as mortes de três militares: um médico inglês e dois soldados americanos. Há ainda doze feridos registados.

A carrinha de onde foram disparados os rockets foi entretanto encontrada nas imediações da base de Taji, ainda com três mísseis no interior do lançador, mas o ataque, que o primeiro-ministro britânico Boris Johnson já qualificou de “deplorável”, ainda não foi reivindicado ou atribuído a qualquer grupo.

Mike Pompeo, via Twitter, também já reagiu e garantiu: “O ataque mortal de hoje ao Campo Militar de Taji, no Iraque, não será tolerado”.

Dois dias após a morte de um norte-americano durante um ataque contra uma base militar iraquiana na província de Kirkuk no final de 2019, os Estados Unidos ordenaram raides aéreos contra cinco bases, no Iraque e na Síria, da fação armada pró-iraniana, as brigadas do Hezbollah.

As tensões aumentaram então entre Washington e Teerão, clima que se intensificou com a morte no início de janeiro em Bagdad do poderoso general iraniano Qassem Soleimani e de um tenente iraquiano num ataque planeado norte-americano.

Como medida de retaliação, bombardeamentos iranianos atingiram bases iraquianas com soldados norte-americanos destacados.

A coligação internacional formada em 2014 para combater o grupo extremista Estado Islâmico (EI), liderada pelos Estados Unidos e apoiada por dezenas de países, conta com milhares de soldados destacados no Iraque.

Apesar de o EI ter perdido dimensão e poder territorial, o grupo extremista conta com células clandestinas que ainda têm capacidade operacional para realizar ataques.

O parlamento iraquiano aprovou recentemente a expulsão de 5.200 soldados norte-americanos do país, mas a decisão ainda não foi aplicada a nível governamental.

O Iraque atravessa uma crise política há vários meses.

O executivo, que está demissionário desde dezembro, ainda não foi substituído por falta de um acordo político no parlamento, o mais fragmentado da história recente do Iraque.