Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

No dia em que foram confirmados 785 casos de infeção por Covid-19 em Portugal, Graça Freitas esclareceu que apenas 15% dos doentes está em internamento. Ou seja, “a maior parte das pessoas pode e deve ser seguida no domicílio”. Na habitual conferência de imprensa, a diretora geral da Saúde disse que estamos “a subir na curva”, pelo que nesta fase a aposta passa por mudar a forma de atendimento. “Vamos mudar o modelo de apenas hospitais de referência para outro modelo.”

“Quase todos nós vamos ter sintomas ligeiros a moderados, nesse caso devemos ligar para o SNS 24 e vamos ser seguidos na nossa casa, como já está a maior parte dos doentes a ser acompanhados à data”, afirmou, deixando uma palavra de “tranquilidade”.“Vamos confiar neste mecanismo”, pediu.

Questionada sobre se os hospitais estão preparados para começar a receber mais doentes, Graça Freitas garantiu que sim: estão a ser criados circuitos nos hospitais para dividir os doentes suspeitos de infeção e os doentes não-suspeitos.

“Temos praticamente toda a rede hospitalar pronta para receber doentes, o que significa criar circuitos dentro dos hospitais onde os doentes são inseridos em dois grupos (suspeitos e não suspeitos)”. “Portanto, a resposta é sim, a maior parte dos hospitais já estão preparados a receber doentes, assim como os centros de saúde também estão a ser preparados”, garantiu Graça Freitas

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O secretário de Estado da Saúde António Sales assegurou ainda que “os cuidados de saúde primários estão a reorganizar-se”. “Os médicos de família já estão a contactar telefonicamente os doentes com consultas programadas, e vão continuar a fazê-lo. Os utentes devem privilegiar os contactos telefónicos dos centros de saúde, que se estão a adaptar. Continuamos a trabalhar em todas as frentes de combate ao surto. Os profissionais de saúde continuam a ser a nossa linha da frente”, garantiu, para depois apelar aos grupos de risco a ficar em casa.

“Estamos de facto em estado de emergência”, disse António Sales. “A declaração de estado de emergência deixa-nos ainda mais alerta, uma resposta musculada do Estado dá origem a uma reposta mais robusta das pessoas. Sem pânico, mas com responsabilidade.”

Graça Freitas confirma que mulher de Pombal que morreu foi testada positivo para Covid-19

“Se existirem óbitos em pessoas não diagnosticadas, mas com quadro clínico compatível, o exame vai ser feito post-mortem”, afirmou Graça Freitas na conferência de imprensa desta quinta-feira, dizendo que esse vai ser sempre o procedimento.

Questionada sobre o caso concreto de uma mulher de 94 anos no concelho de Pombal que, depois de morrer deu positivo no teste, tendo o filho também dado positivo, e questionada sobre se esse caso pode ser entendido como mais um caso positivo, Graça Freitas respondeu que sim. “Para responder à sua pergunta, a resposta é sim”, disse, lembrando até que em Espanha aconteceu o mesmo com os testes post-mortem.

Ainda não é claro se esta se trata da terceira ou quarta morte em Portugal na sequência da Covid-19. O Observador contactou a DGS mas, até ao momento, ainda não obteve confirmação.

“As pessoas que estão a ser testadas já estavam infetadas há cinco ou seis dias

Questionada ainda sobre se existem milhares de portugueses infetados, Graça Freitas respondeu “pode acontecer”. “Todos nós sabemos que há pessoas que não manifestam sintomas, sabemos que as pessoas que estão a ser testadas já se infetaram há cinco ou seis dias”, afirmou ainda.

“Numa infeção assintomática só saberemos à posteriori se essas pessoas têm anti-corpos ou não.” Quanto a pessoas com sintomas ligeiros “é possível que existam mais, quer dizer que muitas pessoas já passaram por esta fase sem ter tido consequências da doença, o que em termos de imunidade para a população em geral é bom. Quanto mais pessoas imunizadas existirem numa população… é a vacina natural”, disse ainda.

Questionada sobre o facto de haver apenas três pessoas curadas em Portugal, Graça Freitas diz que a evolução da doença é longa pelo que ainda não se pode afirmar que há curas. Sendo que o primeiro caso ficou conhecido no dia 2 de março, “só a partir de agora é que vamos começar a dar alta às pessoas e a ter pessoas recuperadas”, assegurou a diretora da DGS, referindo que o período mínimo para ter dois testes negativos é de pelo menos 15 dias.

“Os profissionais de saúde são ativos muitos importantes”

“Qualquer profissional de saúde é uma perda enorme. Agradecemos desde já o trabalho destes profissionais de saúde”, disse ainda António Sales na conferência de imprensa, que apelou a que todos os profissionais de saúde se registem no sistema de verificação da DGS, de maneira a que esta entidade tenha acesso à totalidade dos profissionais infetados.

Graça Freitas realçou ainda que vai sair esta quinta-feira uma norma “com evidência científica disponível à data para orientar os profissionais de saúde”. “Vamos esperar que os especialistas que estão a ser consultados neste momento cheguem a uma conclusão. A ideia é proteger os profissionais de saúde e impedir que estes contagiem outros doentes, temos de ser muito cuidadosos nesta norma, temos de estar seguros no que estamos a fazer e gerir bem os recursos. Os profissionais de saúde são ativos muitos importantes.”

Em relação às pessoas com sintomas ligeiros, Graça Freitas explicou que estas podem transmitir doenças a outras, motivo pelo qual já publicaram uma norma sobre o isolamento com regras para não contagiar o agregado familiar. “Os portugueses vão ter acesso a testes para saber se podem voltar à sua vida normal.”

Massificação de testes depende da disponibilidade de materiais

Questionada também sobre a aplicação de testes em massa, que alguns países adotaram, Graça Fretas afirmou que “estamos a aprender uns com os outros”, havendo a questão da disponibilidade dos testes, que não é infinita, pelo que a prioridade é testar pessoas sintomáticas.

Só se houver mais disponibilidade é que se alarga. “A estratégia de testes está a ser adaptada conforme aprendemos”, disse, lembrando que tem de haver capacidade de haver reagentes e material no mercado que permita massificar os testes.

“Fiquem tranquilos que a nossa estratégia é alargada de acordo com critérios de risco: sempre que pudermos alargar, alargaremos, se houver evidência que a triagem mais larga resulta”, disse.