O Houseparty, o serviço de videochamadas da Epic Games que se tornou a app sensação em tempos de quarentena e isolamento social, nega que foi comprometido informaticamente. Depois de inúmeras partilhas no Twitter e através de mensagens de WhatsApp de alegados utilizadores a dizer que foram pirateados e tiveram os códigos de Netflix roubados, a empresa partilhou no Twitter uma publicação na qual diz: “Todas as contas da Houseparty são seguras — o serviço é seguro, nunca foi comprometido e não recolhe palavras-passe para outros sites”. Em resposta ao Observador, a empresa diz: “Não encontrámos nenhum indício que mostrem uma relação entre o Houseparty e os dados comprometidos de outras contas terceiras.

Como regra geral, sugerimos que todos os utilizadores escolham palavras-passe fortes ao criar contas online em qualquer plataforma. Usem uma senha exclusiva para cada conta e usem um gerador ou gestor de palavras-passe para guardar estas senhas, em vez de usar senhas curtas e simples”, recomenda o Houseparty.

Nas mensagens partilhadas esta segunda-feira, os utilizadores alegam o seguinte: “A todas as pessoas que têm a app Houseparty: Há pessoas a ser roubadas, entram nas contas bancárias delas através da app do banco, entram nas outras contas que tiverem, inclusive entram no telemóvel através da app. Apaguem a conta e apaguem a app!”. Esta mensagem é acompanhada por duas imagens nas quais uma alegada utilizadora afirma detido a conta de Spotify comprometida e mostra um email de verificação da Microsoft que terá recebido.

Passámos um fim de semana a testar o Houseparty. Percebemos a ideia, mas preferimos o Skype

Ao início da tarde desta segunda-feira, o tabloide britânico Daily Mail noticiou estas alegações na sequência de mensagens semelhantes que foram partilhadas no Reino Unido. Contudo, apesar de a app levantar questões de privacidade, como o Observador relatou, na passada segunda-feira meios como a Forbes afirmavam, recorrendo a especialistas, que a app não tinha problemas de cibersegurança, apesar de recolher bastantes dados dos utilizadores (à semelhança de outras redes sociais concorrentes).

Como explicava em 2019 ao The Verge a criadora da app, Sima Sistani, a app é “basicamente um terceiro local para a geração Z e jovens millennials“. “O que fazem na app é o que costumávamos fazer no quintal, na cave”, explica. Ou seja, o Houseparty quer recriar à distância o convívio em grupo de amigos. Neste ano, o número médio de amigos que um utilizador tinha na app era de apenas 23, ao contrário de redes como o Facebook, que incentivam a que se tenha centenas. Numa época de isolamento social, a app tem ganhado cada vez mais utilizadores.

Por ser uma app social, o Houseparty mostra, por definição, se uma pessoa está online ou não (no topo superior esquerdo, no símbolo do smile a sorrir há a opção de controlar notificações). É possível mudar nas definições de contactos quem pode ver isso ou não, mas a base do sistema mostra sempre quem está online, incluindo o próprio utilizador. Contudo, só vê quem, previamente, o utilizador aceitou como amigo nesta plataforma.

*Artigo atualizado às 21h35 com resposta do Houseparty.