A evolução da pandemia de covid-19 em Portugal, com o aumento de doentes graves, obrigou o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) a ativar a “sala de situação nacional”, o que só acontece em momentos excecionais. A medida foi tomada 10 dias depois do primeiro caso positivo de covid-19 no país (02 de março), numa decisão comparável à ocorrida nos incêndios de 2017, quando morreram mais de 100 pessoas na região Centro.

No final da semana, quando a agência Lusa esteve a assistir ao trabalho nesta sala, situada no edifício-sede do INEM em Lisboa, eram cinco os técnicos de emergência pré-hospitalar que ali estavam, cada um fazendo 12 horas por dia para assegurarem o serviço 24 horas por dia.

Numa sala contígua decorrem ‘briefings’, que passaram a ser diários em tempos de pandemia. Os responsáveis do INEM participam nestas reuniões sobre a covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, por videoconferência com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e com altos representantes de todas as forças de segurança.

Desde que foram registados os primeiros casos em Portugal, o INEM começou a fazer transporte especializado dos casos suspeitos de infeção, em função das orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS). Com o aumento desses casos, no dia 12, às 00:00, a “sala de situação nacional” foi acionada para garantir a centralização e gestão da informação.

Fátima Rato, a responsável pelo departamento de emergência médica do INEM, explicou que a pandemia (que já fez 266 mortes e infetou 10.524 pessoas em Portugal) obrigou a abrir esta sala devido à exigência de um grande número de meios. Além disso, explicou, desta forma o trabalho específico para a covid-19 não interfere na atividade diária dos centros de orientação dos doentes urgentes do INEM, que tem de continuar a dar resposta às restantes situações do dia a dia.

Com o aumento progressivo do número de casos e até da sua gravidade, e “à medida que a situação foi evoluindo e todo o sistema de saúde se foi adaptando à realidade”, o INEM reforçou o número de ambulâncias disponíveis para o transporte desse tipo de doentes, adiantou Fátima Rato.

“A evolução dos casos determinou também que recentemente fizéssemos alguma mudança em termos de capacidade técnica das ambulâncias que são utilizadas. Neste momento, temos as ambulâncias SIV (Suporte Imediato de Vida) que têm já um equipamento adequado a doentes com uma gravidade maior”, afirmou a médica.

Na última semana, houve “um aumento do número de doentes já a necessitar de cuidados em termos de ventilação e essas ambulâncias já têm equipamento se for necessário utilizar para permitir a estabilização desse tipo de doentes”, adiantou.

Os pedidos de transporte de casos suspeitos ou confirmados diminuiu porque muitos desses doentes se dirigem agora às áreas dedicadas à covid-19 que estão na comunidade e é aí o primeiro ponto onde são avaliados.

“Os pedidos que temos recebido em termos de transporte vêm sobretudo de unidades de saúde que pretendem transferir doentes mais graves, nomeadamente doentes ventilados para [uma] unidade de saúde mais diferenciada que tenha tecnicamente e do ponto de vista dos recursos, quer humanos quer técnicos, capacidade para o tratamento desses doentes e, portanto, nesta altura são sobretudo o tipo de doentes que temos que transportar”, explicou.

Ouvido pela Lusa, o coordenador da unidade de gestão de crises do INEM, Bruno Borges, disse acreditar que o instituto se tem preparado para lidar com situações excecionais.

“Ao longo do tempo (…), o INEM tem-se preparado e os seus profissionais também. Contudo, temos de perceber que os recursos esgotam e nessa medida tem de ser feita uma melhor racionalização e otimização dos recursos disponíveis”, afirmou.

“Temos de entender que a saúde está a funcionar no seu todo, desde as autoridades locais de saúde, a DGS, o INEM, os hospitais, numa lógica de rede. Estou em crer que todos juntos iremos dar a melhor resposta ao cidadão”, considerou Bruno Borges.