Esta terça-feira, assinalaram-se os 250 anos do poeta inglês William Wordsworth. A data, que deveria ter sido celebrada com poupa e circunstância, passou quase silenciosa. Em Portugal, onde o aniversário era para ser assinalado com um congresso, uma pequena exposição e a reedição do diário da filha de Wordsworth, escrito durante a sua passagem por território nacional, nada aconteceu; em Inglaterra, os correios lançaram um selo comemorativo, alguns jornais lembraram-no como o grande poeta da natureza e o príncipe Carlos, patrono do The Wordsworth Trust, leu um excerto do poema “Tintern Abbey” para a BBC Radio 4, um tributo à extraordinária e profunda do capacidade do poeta de captar “o poder da natureza”, que sempre o impressionou — homenagens modestas dirigidas a um escritor cuja escrita, revolucionária, mudou para sempre a poesia inglesa e cuja influência perdurou tão longe no tempo.

“Bardo supremo da natureza”, como lhe chamou recentemente a The Economist, Wordsworth soube observar a beleza quieta da paisagem rural inglesa, numa altura em que, na sequência da Revolução Industrial, a população fugia para as grandes cidades, barulhentas e sobrepovoadas. Ao aproximar-se do que era natural e simples, através da escolha de temas rurais e da utilização de uma linguagem que se pretendia mais próxima da que era usada no dia a dia, Wordsworth afastou-se do que era artificial, quebrando com os antigos valores da poesia neoclássica e aproximando-se do que viria a ser a poesia romântica de poetas como Shelley, Keats ou Byron. A sua poesia, mais sincera, era nas suas próprias palavras um “transbordar de sentimentos poderosos”, um remédio para a alma em tempos difíceis e conturbados, que continua a ser válido ainda hoje.

Esta ligação profunda com a natureza surgiu em criança. William Wordsworth, que nasceu a 7 de abril de 1770, em Cockermouth, foi enviado pelos tios para uma escola em Hawkshead, no coração do Lake District, após a morte dos seus pais, antes de completar 14 anos. Foi nesta região, conhecida pela sua beleza natural, que Wordsworth desenvolveu o amor pelo mundo natural que haveria de marcar muitos dos seus poemas. É, aliás, dos tempos de infância que datam as suas primeiras composições poéticas, embora tivessem de passar muitos anos até se estrear no mundo da publicação. Entre os anos de 1778 e 1791, frequentou o Sr. John’s College, em Cambridge, uma experiência que poucas marcas lhe terá deixado, já que concluiu apenas com nota suficiente para conseguir passar.

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