Por cá existem águias, dragões, leões, panteras ou castores. Os símbolos são marcas que definem clubes (e pelo meio também emprestam muletas linguísticas para quem fala sobre eles) e existem dezenas e dezenas de casos por todo o mundo. Uns mais comuns e conhecidos como o urso (Atl. Madrid), o cavalo (Twente), o touro (Torino) e os leões e as águias – que merecem aqui ser repetidos porque estão ainda no Bayer Leverkusen, no Lyon, no Chelsea, no Glasgow Rangers (leões), no Palermo, no Nice ou no Crystal Palace (águias) –, outros menos “normais” como o puma (Pumas), o elefante (Catania), o ganso (Swansea), o alce (Watford) ou o jacaré (Nimes).

Ainda assim, por maior ou menor identificação que possa existir, há um caso muito particular de um animal que é mais do que o símbolo de um clube. Pelo menos era, ou não tivesse o Colónia de seguir as regras de protocolo.

Histórico do futebol alemão com dois títulos ganhos nos anos 60 e 70, o conjunto tinha na temporada de 2019/20 um momento importante do percurso para consolidar a posição na Bundesliga depois de algumas descidas de escalão (que valeram também, e em paralelo, o triunfo na Segunda Liga na última época). E o reforço do plantel não se ficou pelas quatro linhas depois: 12 anos depois, o clube anunciou a retirada de Hennes VIII, a mascote que marcava presença em todos os jogos no Rhein Energie Stadion e que se mudou para o Jardim Zoológico da cidade, e a chegada de Hennes IX, uma cabra macho da raça Bunte Deutsche Edelziegeque. Hoje, ficou de fora.

Numa das regiões mais assoladas pela pandemia no país, com um número de infetados (mais de 35 mil) que apenas é superado pela Baviera, o regresso do futebol foi feito entre lamentos por parte dos adeptos, que se sentem quase uma parte integrante do sucesso da equipa e estão agora de fora, e entre a ausência de Hennes IX, que continua no Jardim Zoológico e assim seguirá porque apenas 322 pessoas são permitidas por jogo – e os animais são proibidos. Nas bancadas, os adeptos enviaram não só as suas camisolas mas também cachecóis, galhardetes, almofadas e peluches para compor um cenário vazio. Visualmente funcionou. Para o resultado é que nem por isso.

Mark Uth, o avançado formado no clube e que regressou esta temporada por empréstimo do Schalke, sofreu e converteu a grande penalidade que inaugurou o marcador logo aos seis minutos, sendo também o elemento com maior preponderância na equipa da casa até a um intervalo que chegou com 1-0 mas com o Mainz a ameaçar por mais do que uma vez o golo, num dos encontros mais interessantes deste regresso da Bundesliga.

A abrir o segundo tempo, Florian Kainz aumentou a vantagem do Colónia (53′) mas as substituições de Achim Beierlorzer resultaram em pleno e apenas cinco minutos depois de ter entrado Taiwo Awoniyi reduziu para 2-1 (61′) antes do grande momento do encontro, quando Pierre Kunde se vestiu de GOAT (o termo tantas vezes utilizado com Ronaldo e Messi para dizer que são os Greatest Of All Time mas que significa também bode em inglês) recebeu a bola no corredor central pouco à frente do meio-campo, foi ganhando metros atrás de metros e só teve de desviar de Timo Horn para o empate (72′), lançando o jogo para uma toada de parada e resposta onde ambas as formações podiam ter chegado ao golo do triunfo mas que comprovou as (naturais) dificuldades físicas.