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Marchesín segurou, olhou e queimou a partida. E colocou toda a corrida em risco (a crónica do Famalicão-FC Porto) /premium

FC Porto jogou mais e jogou melhor mas não marcou tanto. O Famalicão ganhou e provou que é mais do que a surpresa da época. Marchesín, que ofereceu um golo, queimou a partida e pôs a corrida em risco.

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O guarda-redes argentino esteve em destaque, pela negativa, no primeiro jogo do Famalicão

EPA

O guarda-redes argentino esteve em destaque, pela negativa, no primeiro jogo do Famalicão

EPA

87 dias, quase três meses, uma paragem sem precedentes e o total estabelecimento de prioridades. De março até agora, pouco se falou de futebol sem a associação às palavras reinício, recomeço, regresso ou retoma. Falou-se de dinheiro, de transferências, de reduções salariais, de novos calendários e de medidas de segurança. Do receio de uns, da confiança de outros, da saudade de todos. Falou-se de memórias e do passado, de esperanças e do futuro. Da forma física, da ausência da forma física, dos problemas da ausência da forma física. Mas pouco se falou de bola — essa expressão tão utilizada por nós, portugueses, para falar da coisa mais importante das menos importantes da vida.

Pouco se falou do relvado, dos sprints e das fintas, dos golos e das defesas. Das bolas no poste, das bolas na trave, das bolas na rede e do som da bola a bater na chuteira. Esse som da bola a bater na chuteira que é agora parte do pouco que se ouve num estádio de futebol. Esta quarta-feira, em Portugal e três semanas depois da Alemanha, os relvados, os sprints, as fintas, os golos, as defesas e as bolas estavam de regresso. E passou a ser possível escrever, falar e comentar bola — não futebol, mas bola.

Ficha de jogo

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Famalicão-FC Porto, 2-1

25.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Famalicão, em Famalicão

Árbitro: Nuno Almeida (AF Algarve)

Famalicão: Defendi, Ivo Pinto, Nehuén Pérez, Roderick, Centelles (Walterson, 81′), Uros Račić, Pedro Gonçalves, Diogo Gonçalves, Rúben Lameiras (Patrick William, 62′), Fábio Martins (Guga, 75′), Toni Martínez

Suplentes não utilizados: Gabi, Riccieli, Ofori, Anderson

Treinador: João Pedro Sousa

FC Porto: Marchesín, Corona, Pepe, Mbemba, Manafá, Otávio, Danilo (Zé Luís, 73′), Sérgio Oliveira, Luis Díaz, Marega, Soares (Aboubakar, 82′)

Suplentes não utilizados: Diogo Costa, Diogo Leite, Vítor Ferreira, Fábio Vieira, Uribe

Treinador: Sérgio Conceição

Golos: Fábio Martins (48′), Corona (74′), Pedro Gonçalves (78′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Nehuén Pérez (4′), a Toni Martínez (39′), a Otávio (45+2′), a Alex Centelles (63′), a Defendi (89′)

Depois de Portimonense e Gil Vicente, que foram os primeiros a voltar, o FC Porto deslocava-se a Famalicão e era o primeiro dos “três grandes” a entrar em jogo. A Primeira Liga, depois de mais de dois meses de paragem, voltava a centenas de quilómetros por hora: os dragões estavam obrigados a ganhar para garantir que o Benfica, esta quinta-feira na Luz contra o Tondela, não tem qualquer hipótese de chegar à liderança nesta jornada. Com apenas um ponto de vantagem para o principal rival, Sérgio Conceição não podia contar nem com Marcano, que se lesionou gravemente durante a interrupção, nem com Alex Telles, a cumprir castigo, nem com Nakajima, que não tem treinado com a equipa e cujo caso está agora entregue à Direção do clube. Mas na antevisão da partida, o treinador tinha muito mais para dizer do que apenas falar sobre a visita ao Famalicão.

“É com enorme prazer que estou aqui outra vez, depois de praticamente três meses fora daquilo que era a competição e estas antevisões. É sempre bom estar de volta. Estes três meses não foram fáceis para ninguém da sociedade e obviamente que o futebol faz parte da sociedade (…) A equipa está bem preparada. Fez um trabalho fabuloso durante estas últimas semanas, mas também no tempo em que esteve em casa. Todas as pessoas que fazem parte da logística deram tudo aos jogadores para terem de sair de casa. Um obrigado a todos. Obrigado também aos jogadores pelo trabalho que fizeram, foram fabulosos”, disse Sérgio Conceição.

PSP vai criar perímetro de segurança para adeptos do FC Porto em Famalicão

Sem adeptos nas bancadas, o FC Porto sabia que ia ter elementos dos Super Dragões no exterior do Municipal de Famalicão: a PSP desenhou um perímetro de segurança junto ao estádio, para garantir que as medidas de distanciamento social eram respeitadas, e acompanhou os adeptos no trajeto até às imediações do recinto. Dentro de campo, Sérgio Conceição só fez mesmo três alterações em relação ao último jogo antes da paragem — e as três para fazer face às três ausências, com as entradas de Pepe, Manafá e Luis Díaz. Do outro lado, João Pedro Sousa não tinha Vaná, que pertence aos dragões, nem Gustavo Assunção, que está lesionado, e lançava Defendi e Rúben Lameiras.

O FC Porto começou melhor e podia até ter inaugurado o marcador logo no primeiro minuto, com Pepe a procurar Marega com uma bola longa mas a defesa do Famalicão a chegar primeiro. A pressão alta dos dragões, realizada praticamente homem a homem e no interior do meio-campo adversário, deixava os famalicenses com pouco espaço para progredir com a bola no pé. Defendi tentava prolongar a filosofia da equipa e marcar os pontapés de baliza à maneira curta, para iniciar uma fase de construção sempre baseada nos dois centrais, mas o FC Porto conseguia quase sempre recuperar a posse e acabar com as investidas do Famalicão. Ainda assim, com a bola nos pés, os dragões esbarravam muitas vezes no preenchimento da faixa central e tinham dificuldades em avançar, gastando muito tempo em trocas de posse de uma ala para a outra para tentar encontrar uma aberta.

E a verdade é que, sempre que o FC Porto trocava de corredor, o Famalicão tombava por completo a outra faixa, deixando sempre um lado do terreno mais desprotegido. Foi exatamente isso que a equipa de Sérgio Conceição começou a explorar, deixando Luis Díaz muito aberto na esquerda para procurar a verticalidade e a profundidade e criar oportunidades nas costas da defesa adversária. Foi assim que Marega ia marcando, depois de um passe longo de Corona, mas valeu ao Famalicão a defesa com o pé de Defendi (11′).

Até aos 20 minutos, a equipa de João Pedro Sousa teve muitas dificuldades em libertar-se da pressão dos dragões e viveu praticamente por inteiro no próprio meio-campo. Só a partir dessa altura é que Fábio Martins, elemento responsável pela criatividade da equipa, começou a recuar no terreno para oferecer linhas de passe em zonas intermédias e transportar a bola do setor mais recuado para o mais adiantado. Foi a partir deste movimento que Diogo Gonçalves teve a melhor oportunidade do Famalicão na primeira parte, ao surgir em velocidade no corredor direito para depois rematar cruzado e ao lado da baliza de Marchesín (21′).

O FC Porto controlou as ocorrências até ao intervalo, ainda que com menos intensidade do que nos minutos iniciais, e voltou a ficar muito perto de marcar em duas ocasiões: primeiro por intermédio de Luis Díaz (22′), que demorou a rematar e permitiu a interceção de Racic, e depois por Soares, que viu Defendi afastar um cabeceamento depois de um trabalho brilhante de Otávio na direita (35′). Os dragões tiveram mais bola, mais oportunidades e maior controlo mas não conseguiram inaugurar o marcador e adiavam para a segunda parte a resolução de um jogo que, para segurar automaticamente a liderança, teria de terminar com uma vitória.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Famalicão-FC Porto:]

Na segunda parte, a expectativa geral era de que o FC Porto tentasse marcar o mais depressa possível para não se colocar numa posição crescentemente desconfortável. Mas ao contrário de tudo o que era esperado, acabou por ser o Famalicão a não precisar de mais do que três minutos para abrir o marcador — e logo a partir de algo raro, um erro de Marchesín. O guarda-redes argentino recebeu um atraso de Manafá, foi pressionado por Toni Martínez e acabou por tentar o passe; Fábio Martins intercetou a bola e só pressionou de rematar para a baliza vazia para colocar o FC Porto a perder (48′).

Mesmo com toda a segunda parte por jogar, o FC Porto teve dificuldade em não atribuir desde logo uma carga muito emocional à partida. Sucederam-se os passes sem nexo, os cruzamentos largos e as atitudes mais irrefletidas — como foi o caso de Vítor Bruno, adjunto de Sérgio Conceição, que acabou expulso depois de protestos mais exuberantes. Marega, que passou totalmente ao lado do jogo, era o exemplo maior de todos os problemas: não recebia passes, não completava passes e não oferecia soluções, retirando mobilidade ao ataque. Os dragões foram consolidando o absoluto domínio com o avançar dos minutos, com passes mais curtos e lances mais simples, o Famalicão apostava principalmente nas transições ofensivas rápidas — Toni Martínez ficou perto de aumentar a vantagem depois de mais um erro defensivo do FC Porto — e acabou por ser o FC Porto a chegar ao golo.

Sérgio Oliveira cruzou largo a partir da esquerda, como fez inúmeras vezes ao longo da partida, e encontrou Corona em transição no lado contrário. O mexicano teve tempo para dominar, enquadrar e preparar o remate, praticamente sem oposição, e empatou o jogo com um remate forte (74′). A 15 minutos do apito final, Sérgio Conceição tinha lançado Zé Luís no minuto anterior ao golo e atirava a equipa para a frente de ataque, à procura de um lance que pudesse encontrar a defesa adversária descompensada para marcar o golo da vitória. Mas como tinha acontecido no início da segunda parte, surgiu o menos expectável.

Num lance em que o FC Porto até tinha muitos elementos na zona defensiva, Pedro Gonçalves avançou sozinho pela esquerda, viu os defesas adversários recuarem sem o obrigar ao um para um e rematou de longe — a bola, encostada ao poste, não deu hipóteses a Marchesín (78′). Sérgio Conceição lançou Aboubakar, João Pedro Sousa blindou a equipa com a entrada de Walterson e o FC Porto passou os cinco minutos de descontos em cima da baliza de Defendi mas sem conseguir criar realmente perigo.

O FC Porto perdeu o primeiro jogo na retoma da Primeira Liga e pode deixar escapar a liderança para o Benfica já esta quinta-feira, quando os encarnados receberem o Tondela na Luz. Numa partida que teve um ritmo bastante elevado, tendo em conta que foi a primeira depois de mais de dois meses de paragem, os dragões foram quase sempre superiores mas acabaram castigados pelos erros defensivos e pela apatia na hora de parar as investidas do Famalicão — que confirmou que é muito mais do que a simples “surpresa” da temporada. Corona continua a ser o melhor jogador da equipa mas não é um curativo suficiente para as feridas evidentes: e que esta noite foram assumidas por Marchesín, que terminou o jogo com dois golos sofridos, sem qualquer defesa e com um erro clamoroso.

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