O empate na Vila das Aves que colocava em causa a liderança isolada do Campeonato (como acabou por acontecer, depois da vitória do Benfica em Vila do Conde com o Rio Ave) foi um momento de frustração para o FC Porto, a começar pelo próprio presidente do clube, Pinto da Costa, que não escondeu a insatisfação pela igualdade no campo do último classificado. Também Sérgio Conceição assumiu que esperava mais, focando o discurso na ideia de que o processo tinha resultado, a eficácia para concretizar é que nem por isso. Todavia, menos de duas semanas depois, tudo mudou. E até aqueles dois pontos perdidos com o Desp. Aves podem não vir a fazer falta.

Aproveitando as derrotas do Benfica frente a Santa Clara e Marítimo, o FC Porto ganhou um embalo importante para a reconquista do título, tendo agora uma margem que lhe permite perder pontos em três das cinco partidas ainda em falta face aos seis de avanço sobre os encarnados, tendo ainda a vantagem no confronto direto. Quase assumindo a “derrota”, Bruno Lage acabou por sair da Luz antes do final da temporada. E Pinto da Costa não passou ao lado de como tudo aconteceu, entre elogios ao trabalho de Sérgio Conceição.

“Uma das garantias de que o FC Porto pode mesmo chegar aonde quer é, como já disse muitas vezes, o Sérgio Conceição. Ele tem 45 anos mas eu já o conheço há mais de 30. É um profissional de excelência, que tem como uma das principais qualidades a enorme exigência que coloca em tudo o que faz. Exige muito dos outros mas ainda exige mais dele próprio. E é assim como treinador, tal como foi enquanto jogador. Mas há outra faceta que poucas vezes é destacada, até porque o perfil de um portista com sucesso e que não costuma esconder o que lhe vai na cabeça agrada pouco à imprensa que nos odeia: o Sérgio é, acima de tudo, um grande ser humano. E voltou a demonstrá-lo recentemente, quando expressou em público a indignação que sentia pela forma como foi destratado na própria casa um colega de profissão, mesmo sendo um rival com o qual estava a disputar duas competições”, começou por destacar o líder dos azuis e brancos na habitual opinião na revista Dragões, recordando o episódio em que o técnico do FC Porto admitiu não ter gostado de ver a forma como Bruno Lage estava a ser tratado.

“Fez muito bem porque uma coisa é certa: é normal, no futebol, que por vezes as pessoas cheguem à conclusão de que é melhor para as duas partes seguirem caminhos diferentes; mas não é aceitável que profissionais sérios sejam usados como bodes expiatórios de quem precisa de se salvar e coloca sempre os interesses pessoais à frente dos interesses coletivos”, acrescentou ainda a esse propósito, numa “farpa” ao clube rival.

“Quando estamos a um mês do final da época, o FC Porto mantém em aberto o objetivo de conquistar as duas principais competições nacionais. Como rejeitei o nosso enterro, rejeito qualquer entronização precoce. A necessidade de continuar a trabalhar muito e bem é tão importante agora como em janeiro”, salientou ainda, a propósito da caminhada da equipa de futebol dos dragões na temporada de 2019/20.