Morreu este domingo com 104 anos a atriz Olivia de Havilland, uma das figuras de proa da chamada “era dourada” do cinema de Hollywood, que vai do pós-I Guerra Mundial aos anos 1960. Ficou também conhecida pela interpretação em “E Tudo o Vento Levou”, filme de 1939 no qual encarnou a personagem Melanie Hamilton.

A atriz, nascida em Tóquio (o pai era professor universitário na cidade japonesa, lecionando língua inglesa) mas com nacionalidade britânica e norte-americana, morreu “pacificamente no seu sono” na residência onde vivia em Paris, informa a revista Entertainment Weekly.

Com um percurso iniciado nos anos 1930, a atriz, que deu seguimento à profissão escolhida pela mãe, Lilian Fontaine, ganhou grande notoriedade na segunda metade dessa década, tendo reforçado o estatuto de estrela de Hollywood nos anos 1940.

Ao todo, na carreira que se prolongou até ao final da década de 1980, Olivia de Havilland participou em 49 filmes de longa-metragem e venceu numerosos prémios, entre os quais dois Óscares (pelas interpretações em “Lágrimas de Mãe”, de 1946, e “A Herdeira”, de 1949) e dois Globos de Ouro (por “A Herdeira” e “Anastasia: The Mystery of Anna”, minisérie televisiva já dos anos 1980). Além dos filmes que lhe valeram estas distinções, teve interpretações marcantes em “A Minha História”, de 1941, e “O Fosso das Víboras”, de 1948.

Lady Olivia

@ John Kobal Foundation/Getty Images

Paralelamente ao cinema, a atriz participou ainda em três espectáculos da Broadway, dois dos quais (“Romeu e Julieta” e “Candida”) no início dos anos 1950 e o terceiro no início dos anos 1960 (“A Gift Of Time”). Em televisão, além da minisérie “Anastasia: The Mistery of Anna”), participou ainda na minisérie “Roots: The Next Generation”, no final dos anos 1970.

Além do longo currículo, Olivia de Havilland destacou-se ainda pela luta pelo controlo e gestão da sua carreira artística. Segundo a revista Entertainment Weekly, de Havilland teve uma batalha legal com os estúdios Warner Bros, que a tentaram penalizar com uma extensão do contrato assinado entre as duas partes devido à recusa da atriz em aceitar alguns papéis.

Olivia de Havilland

@ John Kobal Foundation/Getty Images

Nos anos 1940, sobretudo, a atriz destacou-se por interpretar uma série de personagens que se distanciavam da imagem das figuras femininas do cinema de Hollywood das décadas anteriores, mais habitualmente retratadas como mulheres ingénuas e subjugadas pela sua condição feminina.