A Covid-19 já infectou mais de 18 milhões de pessoas em todo o planeta, aproximando-se o número de mortos provocados pela pandemia dos 700 mil. Números assustadores que levam a maioria a apoiar, de todas as formas possíveis, os esforços para combater a doença provocada pelo novo coronavírus. Mas não um habitante da Florida, que alegadamente viu na crise humanitária uma excelente ocasião para comprar o superdesportivo dos seus sonhos.

Se todo o planeta está a braços com uma grave crise de saúde pública, a situação é particularmente evidente nos Estados Unidos da América, o país que mais casos regista, aproximando-se dos 4,7 milhões de infectados e 155 mil óbitos. O Governo federal e os diferentes Estados têm alocado verbas importantes para minimizar os danos, ajudando empresas e a população. Ora, foi aqui que David Hines, habitante de Miami, viu uma oportunidade de meter ao bolso uns milhões a que não tinha direito.

Misturando vários pedidos de empréstimos fraudulentos com declarações falsas, o homem de 29 anos conseguiu que o Bank of America lhe emprestasse 3.984.557 dólares, cerca de 3,4 milhões de euros.

Com a carteira recheada, Hines começou por oferecer a si próprio um Lamborghini Huracán por 318.497 dólares, cerca de 270 mil euros, segundo as autoridades. Para fazer conjunto com o elegante desportivo italiano, gastou ainda 4000 dólares na refinada loja Saks Fifth Avenue, 8500 dólares no joalheiro Graff e 7000 dólares no hotel Miami Setai, transferindo ainda 60.000 dólares para a mãe.

A vida parecia correr de feição a David Hines, até o azar lhe bater à porta. Ao volante do Huracán, embateu num outro veículo e fugiu. Mas não por muito tempo. O carro italiano foi apreendido e deu origem a uma investigação que conduziu à conclusão que o habitante da Florida não usou os quase 4 milhões de dólares que recebeu do fundo Protection Program para os fins declarados.

Além de não voltar a ver o Lamborghini, Hines vai passar os próximos anos a lidar com os três processos levantados pelas autoridades, um por fraude bancária, outro por falsas declarações a uma instituição financeira e um terceiro por realizar transacções com meios obtidos de forma ilegal.