Quer entregar as compras de outras pessoas em casa e ser remunerado por isso? Em breve, poderá fazê-lo. Como? Ligando-se a à plataforma francesa Shopopop, que conecta supermercados a shoppers, uma comunidade de particulares que se disponibiliza a fazer entregas ao domicílio, usando os seus meios de transporte e aproveitando percursos e rotinas que faz diariamente.

Fundada em 2016 em Nantes, França, por Antoine Cheul e Johan Ricaut, a Shopopop nasceu com a missão de tornar as entregas ao domicílio mais sustentáveis. Agora, quer expandir-se para três mercados, Itália, Bélgica e Portugal.

Segundo avançou ao Observador João Sanches — ex-diretor de Marketing da Zomato e atual responsável pelo mercado português da Shopopop  –, os testes pilotos vão começar “durante o mês de outubro em Lisboa e no Porto, com as principais marcas de supermercado nacionais”.

Logo depois destes testes, a operação expande a nível nacional. João Sanches disse ao Observador que o objetivo era alargarem a atividade a outro tipo de comércio e não só supermercados. Atualmente, trabalham três pessoas nas operações portuguesas.

“O e-commerce tem vindo a crescer bastante, especialmente desde o início da pandemia, sobrecarregando os serviços de entregas, nomeadamente nas horas de pico. A logística e a distribuição foram, por isso, desafiadas a aumentar a sua capacidade de resposta, de forma a garantir entregas em tempo útil. No entanto, a multiplicação dos pontos de distribuição e entregas é algo que acarreta grandes custos e força operacional, algo para o qual muitas entidades não estavam preparadas”, refere João Sanches, responsável pelo mercado português da Shopopop, em comunicado.

Ao Observador, João Sanches explica que a empresa se posiciona como um parceiro de entregas dos supermercados, ou seja, as pessoas inscrevem-se na plataforma e os supermercados vão a essa mesma plataforma, quando precisam, para requisitar shoppers que façam as entregas de encomendas a particulares.

Como é que tudo isto se processa? O utilizador faz a compra no site de um supermercado online, o supermercado vai à plataforma da Shopopop colocar essa oferta e ver se algum dos shoppers inscritos se disponibiliza para tratar da entrega. O shopper que tratar da entrega é pago depois pela Shopopop. “A remuneração é variável em função da distância e da encomenda, mas começa a partir dos quatro euros”, explica João Sanches.

E qualquer pessoa pode inscrever-se? O responsável diz que sim, sendo que cada candidato tem de apresentar o cartão de cidadão, dados bancários e preencher um formulário. E se alguma coisa correr mal na entrega ou esta não chegar ao destinatário? “Temos duas formas de resolver: todas as encomendas são acompanhadas por um seguro e acionamos esse seguro. Se forem falhas de menor valor, somos nós que garantimos. A garantia fica no nosso lado”, explica João.

A startup francesa promete alavancar as vendas online da grande distribuição, com “entregas flexíveis, económicas e mais sustentáveis”. Atualmente, conta com mais de mil parceiros (pontos de venda assinantes), entre os quais a Auchan, Intermarchè, E.Leclerc e Carrefour, e mais de  600.000 encomendas entregues.

Os fundadores Antoine Cheul e Johan Ricaut foram destacados na lista dos jovens sub-30 mais promissores da Forbes, no ranking “30 Under 30”. E, em França, durante o confinamento, a startup recebeu o reconhecimento do Governo francês como “Serviço Nacional de Utilidade Pública” no combate à crise sanitária. Começou a operar em Itália em julho.