Um ataque armado contra uma coluna de quatro autocarros de passageiros escoltados pela polícia no centro de Moçambique provocou este domingo dois mortos e oito feridos, disseram à Lusa passageiros e autoridades de saúde.

Os autocarros foram alvejados na mesma zona da estrada nacional n.º 1 (EN1) onde na quinta-feira outros dois ataques visaram três autocarros, provocando, na altura, sete feridos.

“Quando ouvimos os disparos, inclinei-me para me esconder e não sabia que o meu marido tinha sido atingido. Só descobri porque havia muito sangue no nosso assento”, explicou à Lusa Madalena Escrivão, que perdeu o marido no ataque.

Além desta vítima, Rachid Engenheiro, diretor do serviço de urgências do hospital provincial de Chimoio, confirmou à Lusa uma segunda morte, de um passageiro que tinha sido transferido para aquela unidade.

O ataque aconteceu junto à linha que separa os distritos de Gorongosa e Nhamatanda, na província de Sofala e os autocarros tinham como destino as cidades de Nampula e Quelimane, a partir da Beira e de Maputo.

De acordo com o relato de outros passageiros, os atiradores estavam escondidos na mata, junto à ponte sobre o rio Pungué e largaram uma rajada de tiros sobre os veículos, que continuaram sempre em andamento até ao centro de saúde da vila sede do distrito da Gorongosa.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) confirmou a ocorrência e remeteu mais informação para segunda-feira.

Os ataques surgem na sequência de outros em estradas e povoações das províncias de Manica e Sofala, por onde deambulam guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, principal partido da oposição), liderados por Mariano Nhongo, da autoproclamada Junta Militar da Renamo.